Mais 6,6 milhões de pedidos de subsídio de desemprego nos EUA

Recurso dos norte-americanos desempregados aos apoios do Estado volta, pela segunda-semana consecutiva, a bater recordes. Subida da taxa de desemprego pode levar a cenário semelhante ao vivido na Grande Depressão

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Reuters/Andrew Kelly

Mais de 6,6 milhões de norte-americanos requereram na semana passada um subsídio de desemprego, um valor que constitui pela segunda semana consecutiva um recorde histórico, reforçando as expectativas de subida da taxa de desemprego nos EUA para valores próximos ou superiores aos registados durante a Grande Depressão nos anos 30 do século passado.

De acordo com os dados publicados esta quinta-feira pelo Departamento do Trabalho, o número de novos pedidos de apoio por desemprego ascendeu na semana passada a 6,65 milhões, um valor que supera os 3,3 milhões da semana passada que por sua vez tinham já constituído um novo máximo na história dos EUA.

O número agora registado supera as estimativas, já de si bastante negativas, que vinham sendo feitas nos últimos dias pelos analistas. A média das respostas dadas por economistas à agência Reuters era de 3,5 milhões de novos pedidos, com a resposta mais pessimista a ascender a 5,25 milhões.

O número surpreendentemente alto agora revelado mostra a dimensão do impacto da pandemia do coronavírus no mercado de trabalho nos EUA. Com as empresas norte-americanas a suspenderem a suas actividade em muitos sectores, a solução encontrada tem passado pela dispensa dos seus trabalhadores que, assim, se vêem forçados a recorrer aos apoios disponibilizados pelo Estado.

O ritmo a que estão a ser feitos agora os subsídios de desemprego supera largamente aquilo que aconteceu, por exemplo, durante a crise financeira de 2008 e 2009, quando a economia norte-americana também entrou em forte recessão. Nessa altura, o máximo de pedidos feitos numa semana ficou-se pelos 666 mil, isto é, cerca de dez vezes menos do que aquilo que aconteceu na semana passada.

Esta chuva de pedidos é explicada, por um lado, pelas características desta crise, em que várias empresas fecharam portas ao mesmo tempo, e pelo facto de as autoridades terem facilitado o acesso ao subsídio de desemprego. De facto, ao contrário do que tem sido feito na Europa, e por exemplo em Portugal, os EUA não optaram por ajudar as empresas a pagar os salários dos seus trabalhadores, através de medidas como o layoff. O que fizeram foi melhorar as condições do subsídio de desemprego, acabando deste modo por “convidar” as empresas a despedirem os seus trabalhadores, mesmo que pensem depois em contratá-los outra vez. Para além disso, vários trabalhadores classificados como independentes, que antes não podiam recorrer ao subsídio de desemprego, podem agora fazê-lo.

A rapidez com que os norte-americanos estão a cair no desemprego parece confirmar as expectativas mais pessimistas em relação à evolução da taxa de desemprego nos próximos meses. Os números agora conhecidos apontam já para uma subida da taxa de desemprego dos 3,5% que se registavam antes da crise para valores próximos de 12,5%, o que seria já o máximo verificado desde a Grande Depressão dos anos 30 do século passado. Há, no entanto, já previsões que apontam, a prazo, para uma ainda maior escalada deste indicador, para valores próximos ou superiores aos 29% atingidos há cerca de nove décadas.

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