Antes costuravam trajes das marchas populares mas agora fazem máscaras de protecção

Em Setúbal, a população está a produzir equipamento de protecção para os profissionais de saúde com um tecido especial antimicrobiano.

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Sara Jesus Palma

As costureiras de um grupo habitualmente dedicado à criação de adereços e trajes para as marchas populares de Setúbal decidiram aplicar os seus talentos para ajudar os profissionais de saúde, nesta que já é uma luta contínua contra o coronavírus. Antónia Nascimento e Cecília Candeias são as duas costureiras envolvidas no projecto. Estão desde esta terça-feira a trabalhar, apoiadas por Carlos Nascimento (marido da primeira). Bruno Frazão, responsável por um grupo de teatro local com o qual as costureiras colaboram regularmente na criação do guarda-roupa, ajudou e forneceu os contactos necessários à organização da iniciativa para produzir material de protecção.

Antónia Nascimento explicou ao PÚBLICO que continuarão a fazer máscaras “enquanto o Hospital ceder o tecido” e enquanto tiverem possibilidade para continuar. “É uma simples ajuda que nós estamos a dar.”

O Centro Hospitalar de Setúbal decidiu apadrinhar a iniciativa e fornecer o tecido especial antimicrobiano que está a ser usado. Este tipo de tecido faz parte dos apelidados tecidos inteligentes e representa uma das grandes evoluções na indústria têxtil. A tecnologia embutida neste material evita a proliferação de microrganismos, sendo, paralelamente, hipoalergénica e ecológica. Usado regularmente em unidades hospitalares, o tecido permite que as máscaras e as botas fabricadas possam, após usadas, ser esterilizadas e reutilizadas.

Este é mais um exemplo de mobilização na Península de Setúbal. Nesta terça-feira, o PÚBLICO noticiou a produção de viseiras pelos trabalhadores da Autoeuropa de Palmela, aproveitando as capacidades de impressão 3D da fábrica do grupo Volkswagen. Este equipamento médico já terá sido entregue esta quarta-feira ao Hospital de S. Bernardo, em Setúbal, e ao Hospital Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro.

Os hospitais da região estão a receber material de protecção vindo das mais diversas empresas, bem como de particulares, num esforço comum para combater o vírus SARS-CoV-2. Esta manhã, a Direcção-Geral da Saúde comunicou que Portugal já conta com 2995 casos confirmados de coronavírus e que o número de mortes pela doença aumentou para 43. A nível mundial, existem 435.470 infectados e 19.598 mortes registadas.

Texto editado por Ana Fernandes

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