Operadores desviam capacidade da rede dos escritórios para as casas

Nos, Meo e Vodafone asseguram que as redes estão preparadas para responder a um acréscimo do tráfego residencial, mas pedem “utilização responsável” da Internet.

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Rui Gaudencio

Os três principais operadores de telecomunicações, Nos, Meo e Vodafone, anunciaram esta sexta-feira que apresentaram ao Governo um plano conjunto para minimizarem os efeitos da pandemia de covid-19 no desempenho dos serviços de telecomunicações em Portugal. 

As empresas garantem que tem em curso todas as medidas necessárias para que os portugueses que estão obrigados a permanecer em casa possam continuar a trabalhar, a ter aulas ou a desfrutarem de momentos de entretenimento, e para garantir que nenhuma das funções do Estado é beliscada neste período crítico.

As garantias dadas pelos operadores surgem depois de a própria Comissão Europeia ter dito que é preciso vigiar a capacidade de resposta das redes de comunicações neste período de isolamento social e de ter pedido à Netflix que reduzisse a qualidade das suas transmissões (feitas sobre redes de Internet) para evitar situações de sobrecarga, num momento em que a solicitação é maior do que nunca. Um exemplo que o Youtube também seguiu.

“Assegurar a integridade e continuidade das suas redes e serviços” é o foco principal, dizem Nos, Meo e Vodafone. Neste momento em que os portugueses recorrem como nunca à Internet “para trabalhar, aprender, manter contactos sociais e entreter-se”, os operadores asseguram que têm estado a orientar a capacidade existente das redes “para a geografia onde os utilizadores passaram a estar”. 

Ou seja, para as casas das famílias e menos para os centros de escritórios e centros empresariais. Os três operadores asseguram que “as redes já estão dimensionadas para suportar as horas de pico e também estão preparadas para responder a um acréscimo” do tráfego residencial.

Ainda assim, referem que “é essencial realizar uma utilização responsável da Internet”, para que se previnam “eventuais congestionamentos das redes e a perturbação dos serviços de comunicações electrónicas essenciais para as comunicações interpessoais (voz e SMS), para o ensino e trabalho à distância”.

As entidades que representam o Estado português vão continuar a contar com “total conectividade” para assegurar as suas funções, garantem ainda os operadores. Os operadores vão promover reforços de rede onde eles sejam mais necessários e estão em “diálogo próximo com o Governo” para garantir, em tempo real, a conectividade das instituições.

As empresas também deixam alertas contra eventuais fraudes. Nenhuma delas recorrerá a visitas presenciais “sem um pedido prévio de assistência [técnica] por parte do cliente”, pelo que, quem apareça a uma porta com este tipo de justificação tem forçosamente más intenções.

As deslocações à casa dos clientes (e só por motivos de falhas técnicas e avarias) devem ser agendadas previamente por via telefónica, através das linhas habituais. Todos os técnicos estarão munidos do respectivo cartão de identificação, que exibirão à chegada.

Nos, Meo e Vodafone asseguram que têm tomado várias medidas para garantir que as equipas técnicas “estão disponíveis, remotamente sempre que possível, e fisicamente quando estritamente essencial”.

Todas as medidas “estarão em vigor por tempo indeterminado e serão revistas e/ou ajustadas em função da evolução da situação”.

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