Ministério da Saúde quer doentes de risco separados de casos de coronavírus para reduzir risco de infecção

Secretário de Estado da Saúde afirmou que idosos, doentes oncológicos e crónicos são uma das “grandes preocupação” do Ministério. Articulação com o sector privado está a ser estudada.

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A directora-geral da Saúde, Graça Freitas, e o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales LUSA/TIAGO PETINGA

Todos os doentes oncológicos têm consultas e tratamentos assegurados, seja no sector privado como no público? “Sim”, garantiu o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, esta quarta-feira, em conferência de imprensa. O responsável afirmou que os doentes considerados de risco – onde se inserem idosos, doentes oncológicos e crónicos – são uma das “grandes preocupação” do Ministério da Saúde.

“Vamos, com certeza, dar uma especial atenção a idosos, pessoas com doenças crónicas — onde se inserem diabéticos, hipertensos e outros —, doentes do foro oncológico, que normalmente são doentes imunodeprimidos. E vamos tentar, de uma forma muito articulada, separar doentes com covid-19 nessas situações de imunossupressão de outros doentes que possam estar imunodeprimidos, para que não haja a possibilidade de serem contagiados”, adiantou António Lacerda Sales.

Já na terça-feira, a directora-geral da Saúde, Graça Freitas, tinha assegurado que todos os doentes crónicos terão acesso à medicação no domicílio, evitando deslocações desnecessárias aos hospitais e centros de saúde e a um maior risco de exposição ao novo coronavírus.

Numa altura em que Portugal tem mais de 600 infectados e duas mortes contabilizadas por covid-19, Ovar “é o caso que inspira preocupação acrescida, tendo sido declarada calamidade pública devido a fortes indícios de transmissão comunitária”, disse o secretário de Estado.

A directora-geral da Saúde disse que “neste momento, com os casos que existem já é possível ter uma ideia para onde estamos a caminhar, a curva epidémica, e avaliar as medidas que vamos tomando”. Graça Freitas adiantou que um grupo de peritos está reunido a “fazer um ponto da situação que permita antecipar algumas hipóteses e informar o poder político para suportar decisões”. Admitiu também que estão a ser equacionadas novas medidas a aplicar nos aeroportos, como o controlo de temperatura ou isolamentos obrigatórios por 14 dias.

Equipamentos de protecção

Esta quarta-feira, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) deixou um apelo no site: “Perante a carência dramática dos mais elementares meios de protecção respiratória, o SIM apela a todos os responsáveis de indústrias cujos trabalhadores usam na sua actividade diária máscaras de protecção respiratória (indústria automóvel, extracção de minérios, pinturas, agricultura, limpeza de matos e terrenos) e que estão e estarão com actividade reduzida, para disponibilizarem essas máscaras aos profissionais de saúde dos hospitais e centros de saúde.

“Estamos a reforçar as aquisições de equipamentos de protecção individual. Todos os dias estamos a ir ao mercado”, afirmou António Lacerda Sales. “Durante esta semana serão distribuídos dois milhões de máscaras e mais 150 mil equipamentos de protecção individual. A partir do princípio da próxima semana este stock será também reforçado”, disse o secretário de Estado, explicando que estão a fazer compra centralizada, embora seja normal que algumas instituições estejam a fazer aquisições de forma autónoma.

Articulação com os privados

“Estamos a aceitar todas as disponibilidades”, garantiu António Lacerda Sales, quando questionado sobre a disponibilidade já demonstrada por várias instituições privadas e sociais para apoiar o Serviço Nacional de Saúde no combate à epidemia. “Essas disponibilidades têm de ser integradas numa gestão estratégica para podermos activar em conformidade. É esse plano que estamos a estudar e a realizar.”

Do levantamento de ventiladores já feito pelas autoridades de saúde, 250 pertencem ao sector privado. O responsável adiantou que o Estado ainda não recorreu a esta reserva. “Neste momento as disponibilidades estão fornecidas e estamos a articular com os privados”, disse.

Na passada terça-feira, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada reuniu-se com a Direcção-Geral da Saúde para discutir as normas e a possível agilização dos vários sectores. E os hospitais privados já estão a preparar-se para receber doentes de covid-19.

Por exemplo, o grupo CUF já designou dois dos seus hospitais – CUF Porto e CUF Infante Santo – para diagnosticar e tratar doentes infectados com o novo coronavírus. Também já tinha anunciado que iria disponibilizar 50 ventiladores para o SNS.

O grupo Lusíadas Saúde revelou esta quarta-feira num comunicado interno a que a Lusa teve acesso que vai disponibilizar camas e ventiladores e ainda distribuir um milhão de euros pelos seus profissionais de saúde que “directa e activamente irão prestar cuidados neste contexto de pandemia”.

Na mensagem dirigida aos colaboradores, é referido que o grupo esteve reunido com a DGS, tendo ficado decidido que serão disponibilizadas 231 camas de internamento, 54 ventiladores e as respectivas equipas de saúde necessárias no Hospital Lusíadas Albufeira, Clínica de Santo António e numa parte específica do Hospital Lusíadas Porto, com “todos os meios humanos e físicos totalmente disponíveis para diagnóstico e tratamento de doentes” infectados.

Além dos grupos de saúde, também as autarquias estão a tomar iniciativas de aquisição de material, sobretudo ventiladores. O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, revelou esta quarta-feira que vão ser entregues 55 ventiladores aos hospitais de São João e Santo António e também ao de Cascais, em Lisboa, para suprir necessidades imediatas perante a epidemia de Covid-19.

Também a Câmara Municipal do Barreiro, disse em comunicado, investiu 100 mil euros na aquisição de novos aparelhos de ventilação. “Dois dos novos ventiladores suportados pela Câmara Municipal estão já à disposição dos profissionais de saúde do Centro Hospitalar Barreiro Montijo e há outros três a caminho”, explica na nota.

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