Carlos Alexandre marca para 2 de Abril interrogatório de principal suspeito de Tancos

O debate instrutório está previsto para 2 e 3 de Abril. Se esta fase do processo não for adiada, devido a medidas de contenção do novo coronavírus, João Paulino será ouvido a pedido do seu advogado.

Carlos Alexandre
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NUNO FERREIRA SANTOS

É num clima de incerteza com a suspensão de vários julgamentos e diligências não urgentes, que o juiz Carlos Alexandre marcou para o primeiro dia do debate instrutório do processo de Tancos o interrogatório a João Paulino, o principal suspeito do furto do material de guerra depois recuperado pela Polícia Judiciária Militar.

Se um adiamento não for entretanto decidido, no quadro das medidas excepcionais decretadas pela Direcção-Geral da Saúde para conter a epidemia do novo coronavírus, esse interrogatório realizar-se-á na quinta-feira 2 de Abril, de acordo com uma fonte ligada ao processo. O debate instrutório, que antecede a pronúncia ou não pronúncia dos acusados (decisão de os levar ou não a julgamento) pelo juiz Carlos Alexandre está marcado para os dias 2 e 3 de Abril.

João Paulino falará pela primeira vez desde que foi constituído arguido, preso, acusado, e entretanto libertado quando terminou o prazo máximo de prisão preventiva, em Janeiro deste ano. Não o fez antes porque queria aceder às acções encobertas da Polícia Judiciária (PJ) que investigou o furto e o reaparecimento do material de guerra antes de ser interrogado e expor a sua versão dos factos. E agora, vai fazê-lo a pedido do seu advogado.

Paulino foi o elemento do grupo directamente envolvido no assalto que terá negociado com a PJM, através da GNR, a entrega desse material, sem conhecimento da PJ e à revelia da orientação do Ministério Público. E o seu advogado, Carlos Melo Alves, garantiu, em várias ocasiões, que o ex-fuzileiro negociou a devolução do material ao mais alto nível: “O meu cliente negociou com as instituições portuguesas através de quem as representava, ao mais alto nível.”

Ao longo da fase de instrução, que começou no início de Janeiro, Melo Alves solicitou por duas vezes o acesso aos relatos e informações das acções encobertas para, como diz, permitir ao seu cliente melhor preparar a sua defesa. Porém, apenas foi permitido aos advogados de defesa dos 23 arguidos o acesso a informação pouco ou nada relevante nas poucas folhas dessa parte confidencial do processo que puderam consultar.