Coronavírus: Governo obriga bares a fechar às 21h todos os dias

Emergência de saúde pública: depois de uma sexta à noite ainda com copos e convívio, os bares passam a ter recolher obrigatório até 9 de Abril. Despacho entra em vigor imediatamente.

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Bares têm de fechar todos os dias às 21h Helder Olino / PUBLICO (foto de arquivo)

Depois de decretar o encerramento de “discotecas e similares” até segunda-feira, o Governo, após uma sexta-feira ainda com copos e convívio, decretou este sábado e com efeitos imediatos o encerramento dos bares.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e a ministra da Saúde, Marta Temido, assinaram o despacho conjunto que determina o encerramento destes espaços todos os dias a partir das 21 horas, o que na prática, para muitos deles, especialmente em áreas mais noctívagas, poderá representar uma decisão de nem chegar a abrir, já que 21/22h é a hora habitual de abertura.

A justificação do Governo: emergência de saúde pública. “O despacho produz efeitos a partir de hoje, até ao dia 9 de Abril de 2020‬, podendo ser prorrogado em função da evolução da situação epidemiológica”, lê-se na nota.

De acordo com o comunicado do Governo, o despacho resulta, entre outros factores, da situação epidemiológica a nível mundial, do aumento de casos de infecção em Portugal, da necessidade de conter as possíveis linhas de contágio, da declaração da situação de alerta em Portugal e, por fim, da “necessidade de medidas adicionais com vista ao cumprimento dos objectivos que justificaram a referida declaração”.

A dúvida sobre deixar os pequenos bares abertos em funcionamento regular, assim como outros espaços nocturnos ambíguos, já tinha sido comentada ao PÚBLICO por responsáveis de associações ligadas aos bares e discotecas em Lisboa e Porto, sendo que coincidiam numa conclusão: se é para fechar, é fechar tudo, ou em alternativa, precisamente, uma espécie de “recolher obrigatório” com encerramento cedo.

Muitos bares pelo país fecharam voluntariamente, alguns até antes das medidas do Governo anunciadas na quinta-feira, mas muito resistiam. “É a noite, há muito álcool”, lembrava Hilário Castro, presidente da Associação de Comerciantes do Bairro Alto, que apontava que muitos jovens continuariam pelas ruas, sem cuidado nem controlo.

Uma “paragem total”, não deixando de fora nenhuns espaços similares a bares, defendia José Gouveia da Associação Nacional de Discotecas: “Tudo o que é estabelecimento nocturno deve fechar”, referia, “ou ter ‘recolher obrigatório’”.​

“Se é para fechar, é fechar tudo”, defendia ainda António Fonseca, da Associação de Bares da Zona Histórica do Porto.

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