Tribunal dá como provado que xeque do Dubai raptou as filhas e ameaçou a ex-mulher

O Governante dos Emirados Árabes Unidos é acusado de crimes de rapto, tortura, ameaças e casamento forçado.

,Raiyah bint Hussein
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O xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum e a ex-mulher, Haya bint al-Hussein LUSA/STR

Um tribunal de Londres deu como provado que o xeque Mohammed bin Rashid al-Maktoum, do Dubai, ordenou o rapto de duas filhas e ameaçou a ex-mulher. A decisão do juiz Andrew McFarlane foi tornada pública esta quinta-feira, depois de o Supremo Tribunal Britânico ter rejeitado um recurso do xeque contra a publicação destas conclusões.

McFarlane considerou dadas como provadas as queixas feitas pela ex-mulher do xeque, a princesa Haya bint al-Hussein, filha do falecido rei Hussein da Jordânia, segundo adiantam a BBC e a agência Reuters.

A princesa Haya casou em 2004 com o xeque Mohammed bin Rashid al-Maktoum, que aos 70 anos é primeiro-ministro e também vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, tornando-se a sua sexta mulher. O casal teve dois filhos: Jalila, de 12 anos e Zayed, de 8.

Em Abril do ano passado, após rumores de um romance com um dos seus seguranças privados, Haya viajou com os filhos para o Reino Unido e abriu um processo de divórcio e pela guarda dos filhos, nos tribunais britânicos. A princesa jordana dizia temer pela sua vida, devido às ameaças das quais era alvo por parte do marido. Mais tarde foi divulgado que Haya pediu também protecção para a filha Jalila, que iria ser forçada a casar com o príncipe Mohammed bin Salman, o sucessor ao trono.

Mohammed bin Rashid al-Maktoum foi ainda acusado de mandar raptar e torturar duas das suas filhas de casamentos anteriores, Shamsa e Latifa, obrigando-as a voltar para o Dubai. Segundo a princesa Haya, Shamsa tinha 18 anos quando foi sequestrada na rua em Cambridge, Inglaterra, em 2000, e levada para o Dubai. Latifa terá sido raptada de um barco que estava em águas internacionais, ao largo da Índia, em 2018.

O juiz considera que “as alegações de que o pai ordenou o rapto e regresso ao Dubai das filhas Shamsa e Latifa são muito sérias”, acrescentando que as mesmas podem violar um conjunto de leis internacionais e normas de direitos humanos. O juiz diz ainda que ambas “estão privadas da sua liberdade, embora dentro de acomodações familiares no Dubai”.

O xeque não compareceu no julgamento e argumentou que como líder do governo não pôde participar no processo de apuramento dos factos, pelo que a versão que o juiz deu como provada é “parcial”.

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