Itália chega a sete mortos, mas UE não fecha fronteiras

Governo italiano estabelece cordão sanitário em torno de 11 cidades. UE diz que o fecho concertado de fronteiras só com dados científicos. Pico da epidemia na China já passou, afirma a OMS.

Militares guardam a catedral de Milão, encerrada por causa do coronavírus
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Militares guardam a catedral de Milão, encerrada por causa do coronavírus FLAVIO LO SCALZO/Reuters

A Itália passou esta segunda-feira a ser o terceiro país do mundo em nível de contágios do novo coronavírus e, depois de sete pessoas terem morrido devido à doença, o Governo decidiu estabelecer um cordão sanitário em torno de 11 cidades do norte do país. A doença tem-se espalhado rapidamente desde que as primeiras mortes foram anunciadas no sábado.

O receio do contágio ao resto da União Europeia devido à livre circulação de pessoas pelo Espaço Schengen já levou a Áustria a agir com medidas de restrição fronteiriça para pessoas provenientes das regiões italianas da Lombardia e do Véneto.

No domingo, o tráfego ferroviário de e para a Itália esteve parado durante quatro horas enquanto dois passageiros eram testados para saber se estavam infectados.

Ministros da Saúde da Alemanha, Áustria, Croácia, Eslovénia, França e Suíça reúnem-se esta terça-feira em Roma para discutir medidas para conter o vírus, ao mesmo tempo que a Itália pede aos Estados-membros que não imponham controlos fronteiriços, por considerar uma medida ineficaz.

A União Europeia não está a pesar qualquer medida restritiva da circulação. “Uma suspensão coordenada do acordo de Schengen não irá acontecer de momento, mas estamos a trabalhar em vários planos de contingência”, referiu o comissário para a Gestão de Crises, Janez Lenarcic, na conferência de imprensa conjunta com a comissária da Saúde, Stella Kyriakides.

A suspensão ou não das fronteiras é decisão dos Estados-membros, a UE só pode decidir medidas de restrição de circulação coordenadas com base em dados científicos e, até agora, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda “não recomendou impor restrições de viagem ou comerciais”.

A OMS considera que apenas a China tem risco “muito elevado” de transmissão da doença, mantendo o nível de alerta global em “elevado”, mesmo tendo em conta que Kuwait e Omã entraram para a lista de países com pessoas infectadas com o coronavírus. As autoridades omanis decidiram suspender de imediato os voos de e para o Irão, depois de duas mulheres provenientes desse país terem testado positivo.

De acordo com a última actualização da Universidade Johns Hopkins, o Irão tem 61 casos confirmados de coronavírus e 12 mortos.

A missão de especialistas enviados pela organização à China descobriu que a epidemia de Covid-19 atingiu no país o seu pico de 23 de Janeiro a 2 de Fevereiro, “estando em declínio desde então”, disse Tedros Adhanom, director-geral da OMS, em conferência de imprensa em Genebra.

Kyriakides e Lenarcic elogiaram a resposta “profissional e rápida” do Governo italiano. “Os rápidos desenvolvimentos verificados no fim-de-semana em Itália mostraram como a situação pode mudar rapidamente”.

“O número ainda está a aumentar, mas estamos convencidos que as medidas tomadas impedirão que se alastre ainda mais”, disse à imprensa Attilo Fontana, presidente da região da Lombardia, a mais atingida com 172 casos, cerca de 10%, todos com pacientes mais de 65 anos, são considerados graves.