Gonçalo Byrne vai candidatar-se à presidência da Ordem dos Arquitectos

Arquitecto quer apresentar listas para todas as (novas) sete secções regionais na eleição que está marcada para o dia 15 de Maio.

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Gonçalo Byrne Nuno Ferreira Santos

O arquitecto Gonçalo Byrne (n. Alcobaça, 1941) vai ser candidato à presidência do conselho directivo nacional da Ordem dos Arquitectos (OA) nas eleições que vão ter lugar no próximo dia 15 de Maio. A confirmação foi feita pelo próprio ao PÚBLICO esta quinta-feira. A equipa que está a trabalhar com Byrne quer apresentar listas para os órgãos de gestão das sete secções regionais que resultam do processo de regionalização levado a cabo pela equipa da direcção cessante, presidida por José Manuel Pedreirinho.

“Pensamos concorrer a todas as secções regionais e a todos os órgãos com uma lista própria”, avançou o autor do edifício conhecido como Pantera Cor-de-Rosa, em Lisboa, explicando ter decidido responder positivamente ao apelo que lhe foi feito por arquitectos de todo o país e de diferentes gerações.

“Recebi um apoio bastante transversal a vários níveis da profissão, com uma representação geracional total, desde os mais novos até à minha geração e à geração mais velha”, acrescentou Byrne, que, no entanto, recusou avançar qualquer nome, antes de as suas listas estarem formadas.

Recorde-se, no entanto, que Gonçalo Byrne foi um dos subscritores de uma carta aberta enviada em meados de Janeiro à actual direcção da Ordem dos Arquitectos a pedir explicações para o atraso na convocação do novo acto eleitoral. Entre as várias dezenas de arquitectos que subscreveram a carta aberta estavam nomes como os de Álvaro Siza, Eduardo Souto de Moura, José Carlos Loureiro, Alexandre Alves Costa, Inês Lobo, Helena Roseta, João Luís Carrilho da Graça, José Mateus, Magda Seifert, etc.

O valor real da arquitectura

Dignificar a profissão e enfrentar os imensos problemas decorrentes da crise económica que afectou o país e o mundo na última década, e, por outro lado, “alterar a percepção do valor real da arquitectura” são princípios que vão estar presentes no programa de candidatura da equipa de Byrne, que assim se propõe valorizar “aspectos que foram descurados pela direcção cessante”.

O arquitecto tem uma visão muito crítica da situação actual da arquitectura em Portugal, onde acha que “o termo qualidade foi posto no lixo pelo Estado”, como disse em recente entrevista ao PÚBLICO. “O Estado conseguiu criar um pactus contratual de alta desconfiança em relação aos projectistas, que em Portugal são oficialmente tratados como uma classe de que é preciso desconfiar”, disse Byrne, acrescentando que a retoma do mercado é um reconhecimento sobretudo do lado empresarial da arquitectura e menos da arquitectura como disciplina.

Na apresentação, agora, das razões da sua candidatura à OA, Byrne manifestou a intenção de “trabalhar para o reconhecimento generalizado de uma profissão que gera riqueza para toda a gente, para o processo de cidadania e também para os investidores”.

O arquitecto secunda também as declarações proferidas esta quarta-feira por Álvaro Siza na sua conferência a abrir o Correntes d’Escritas na Póvoa de Varzim, considerando que “a arquitectura em Portugal está em agonia”. “É verdade, e uma das razões tem a ver com a legislação, mas também com os critérios com que ela é aplicada, e que em grande parte das vezes vão mesmo além da própria legislação”, diz Byrne, realçando “a crescente degradação das condições de trabalho, e sobretudo do exercício da profissão, e que não tem a ver só com a arquitectura”.

Outro tema a que a candidatura de Byrne promete dar atenção é o papel da arquitectura na questão da sustentabilidade do planeta e na maneira de reagir às alterações climáticas. “A arquitectura é um veículo do espaço público, do espaço habitável, mas também do território e da própria paisagem”, diz o arquitecto, que se propõe ainda “intensificar o diálogo com as autoridades públicas, com o Governo, com quem for a administração, e com as outras especialidades envolvidas no mundo da arquitectura”.