Ordem diz que médicos “estão preparados para salvar vidas”

Bastonário Miguel Guimarães voltou a manifestar-se contra a despenalização da eutanásia, por esta violar princípios éticos e deontológicos da actividade médica. Representantes de várias confissões religiosas voltaram a contestar a eutanásia, defendendo medidas que reforcem os cuidados paliativos.

Ordem dos Médicos
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Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães paulo pimenta

A Ordem dos Médicos voltou esta segunda-feira a manifestar-se contra a despenalização da eutanásia, argumentando que esta prática viola a ética e a deontologia dos médicos, que “estão preparados para salvar vidas”. A posição foi expressa aos jornalistas pelo bastonário, Miguel Guimarães, à saída de uma audiência, em Lisboa, com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que regressou esta segunda-feira à noite de uma visita de Estado à Índia.

Miguel Guimarães fez-se acompanhar pelos ex-bastonários Gentil Martins, Carlos Ribeiro, Germano de Sousa, Pedro Nunes e José Manuel Silva.

O actual bastonário frisou, em breves declarações, que os médicos “estão preparados para salvar vidas” e que uma lei que vise a despenalização da eutanásia ou do suicídio assistido viola os princípios éticos e deontológicos que norteiam a prática médica e “altera a relação médico/doente”.

O ex-bastonário da Ordem dos Médicos Pedro Nunes apontou, por sua vez, “o desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde” como uma possível consequência da despenalização da eutanásia.

A Assembleia da República debate na quinta-feira cinco projectos de lei para a despenalização da morte assistida, do BE, PS, PAN, PEV e Iniciativa Liberal, que prevêem essa possibilidade sob várias condições. Em 2018, o parlamento debateu projectos de despenalização da eutanásia, apresentados pelo PS, BE, PAN e Verdes, mas foram todos chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois maiores partidos deram liberdade de voto.

Há dois anos, o CDS-PP votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se, uma maioria no PS votou a favor. O BE, PAN e PEV votaram a favor. Um grupo de cidadãos está a recolher assinaturas para realização de um referendo sobre a matéria,  ao contrário do que aconteceu em 2018. Dos partidos com representação parlamentar, apenas o CDS apoia a ideia, assim como vários dirigentes do PSD.

Religiões dizem não à morte assistida, sim aos cuidados paliativos

Representantes de várias confissões religiosas voltaram esta segunda-feira a contestar a eutanásia, defendendo medidas que reforcem os cuidados paliativos. A posição foi expressa aos jornalistas, à saída de uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em Lisboa.

Segundo o pastor Jorge Humberto, da Aliança Evangélica, o chefe de Estado revelou-se “atento e sensível” às preocupações das diferentes confissões religiosas, que “pugnam pela dignidade da vida humana”. O membro da Aliança Evangélica pede uma legislação que “amplie os cuidados paliativos em Portugal” e não despenalize a morte assistida.

Khalid Jamal, da Comunidade Islâmica de Lisboa, enfatizou que “a vida é uma dádiva”. O padre Fernando Sampaio, capelão do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, lembrou a necessidade da garantia de cuidados paliativos à pessoa em sofrimento, sustentando que “a morte não fundamenta a vida”.

A Assembleia da República debate na quinta-feira cinco projectos de lei para a despenalização da morte assistida, do BE, PS, PAN, PEV e Iniciativa Liberal, que prevêem essa possibilidade sob várias condições.

Em 2018, o parlamento debateu projectos de despenalização da eutanásia, apresentados pelo PS, BE, PAN e Verdes, mas foram todos chumbados, numa votação nominal dos deputados, um a um, e em que os dois maiores partidos deram liberdade de voto.

Há dois anos, o CDS-PP votou contra, assim como o PCP, o PSD dividiu-se, uma maioria no PS votou a favor. O BE, PAN e PEV votaram a favor. Um grupo de cidadãos está a recolher assinaturas para realização de um referendo sobre a matéria, que tem o apoio da Igreja Católica, ao contrário do que aconteceu em 2018. Dos partidos com representação parlamentar, apenas o CDS apoia a ideia, assim como vários dirigentes do PSD.

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