Sanders parte como favorito no Iowa, mas a nomeação final é um campeonato longo

Eleições primárias no Partido Democrata arrancam na próxima semana com Bernie Sanders à frente nas sondagens. Mas Joe Biden conta com o apoio do eleitorado afro-americano e só tem de sobreviver a Fevereiro para se manter na corrida.

Elizabeth Warren, Joe Biden e Bernie Sanders
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Elizabeth Warren, Joe Biden e Bernie Sanders Reuters/Shannon Stapleton

A uma semana da importante votação no estado norte-americano do Iowa, a primeira na maratona de eleições no Partido Democrata para a escolha do adversário de Donald Trump nas presidenciais de Novembro, a atenção está cada vez mais centrada em Bernie Sanders e Joe Biden. De acordo com as sondagens, Sanders reconquistou o fulgor que perdera há três meses na sequência de um ataque cardíaco, e Biden conta com o apoio dos eleitores afro-americanos para chegar ao fim de Fevereiro com as suas esperanças intactas.

Esta segunda-feira, uma sondagem da Universidade de Emerson, em Boston, realizada entre quinta-feira e domingo, pôs Bernie Sanders à frente no Iowa, com nove pontos de vantagem sobre Joe Biden (30% contra 21%). Atrás dos dois favoritos surgem os outros três candidatos que ainda sonham com a nomeação: Amy Klobuchar (13%), Elizabeth Warren (11%) e Pete Buttigieg (10%).

No sábado, uma sondagem da Universidade de New Hampshire para a CNN, sobre as intenções de voto na segunda eleição nas primárias do Partido Democrata (New Hampshire, a 11 de Fevereiro), deu também a liderança a Bernie Sanders, com 25%. Seguem-se Joe Biden (16%), Pete Buttigieg (15%), Elizabeth Warren (12%) e Amy Klobuchar (6%).

O trunfo de Biden

A afluência às urnas vai ser determinante para se perceber se as sondagens estão no caminho certo. Se, como o Partido Democrata espera, a afluência no Iowa for muito significativa – superior, até, ao recorde estabelecido em 2008, que resultou numa surpreendente vitória de Barack Obama naquele estado –, é possível que Bernie Sanders seja o principal beneficiado.

Tal como aconteceu nas primárias de 2016, a base de apoio de Sanders tem dado provas de ser muito empenhada e fiel ao seu candidato – o que indica uma maior disponibilidade para enfrentarem o frio do Iowa numa noite de Inverno, na segunda-feira da próxima semana, para as longas horas de debates que distinguem um caucus de uma eleição comum em que os votos são apenas despejados numa urna.

E, mesmo que Sanders confirme o favoritismo das sondagens mais recentes, vai ser preciso olhar também com atenção para os resultados dos candidatos que ficarem atrás. Se, por exemplo, Joe Biden ficar em segundo lugar, a uma curta distância de Bernie Sanders; e se, uma semana depois, perder novamente para Sanders, em New Hampshire, mas por poucos pontos de diferença, as esperanças do candidato centrista podem manter-se intactas.

Uma vez ultrapassado o primeiro embate, no Iowa e em New Hampshire, sem derrotas pesadas, Biden poderá contar com o seu enorme apoio entre o eleitorado afro-americano do Partido Democrata nas primárias no estado da Carolina do Sul, a fechar o mês de Fevereiro.

Uma definição mais vincada na corrida deste ano do Partido Democrata deverá acontecer no dia 3 de Março, na chamada “Super Terça-feira”, com 15 eleições no mesmo dia, entre as quais as da Califórnia e do Texas.

Esquerda, ou centro?

Mas a primeira eleição, no Iowa, tem também uma particularidade que torna muito difícil antever resultados – à medida que o caucus for avançando, na segunda-feira, os apoiantes dos candidatos que não alcançarem pelo menos 15% dos votos vão ser desafiados a juntar-se aos candidatos que continuarem em prova.

Por exemplo, se a senadora Amy Klobuchar, uma democrata moderada que admite negociar com os republicanos, ficar para trás, é possível que os seus apoiantes se juntem a Joe Biden – outro candidato que é visto como representante da ala centrista do Partido Democrata. E, se isso acontecer, Sanders pode ter mais problemas para vencer a eleição. Mas se a senadora Elizabeth Warren sofrer um desastre eleitoral no Iowa, os seus apoiantes podem transferir-se para Bernie Sanders, já que ambos representam uma linha mais à esquerda no Partido Democrata. 

De acordo com as sondagens, Warren tem perdido apoios e Sanders tem recuperado o estatuto de grande favorito, apesar de a senadora do Massachusetts ter recebido duas importantes recomendações de voto: do Des Moines Register, o maior jornal diário do Iowa; e do The New York Times (neste caso, em conjunto com Amy Klobuchar).

Para além dos principais favoritos à nomeação final, que neste momento são Bernie Sanders e Joe Biden, e logo atrás Elizabeth Warren, os restantes candidatos correm por fora e as suas hipóteses de virem a ser escolhidos como adversários de Donald Trump nas eleições presidenciais dependem de uma combinação de factores improvável. Isto acontece porque, este ano, as primárias no Partido Democrata têm muitos candidatos e quase todos podem ser divididos em dois campos – um mais ao centro e outro mais à esquerda.

À entrada da última semana antes da primeira votação, Joe Biden e Bernie Sanders são os favoritos, cada um na sua área política. Seria preciso acontecer uma catástrofe para que os dois fossem afastados da corrida numa fase inicial. E só no caso de algum deles ficar para trás é que os seus apoiantes vão começar a olhar para segundas escolhas – principalmente no lado centrista, onde Pete Buttigieg e Amy Klobuchar estão ainda relativamente bem posicionados.

Ao contrário do que acontece com Biden ou Sanders (que podem sofrer, um e outro, um resultado menos positivo no Iowa e sobreviver politicamente), a vida de Buttigieg ou de Klobuchar é mais difícil: quem fracassar no Iowa, na próxima semana, ficará praticamente afastado do sonho da nomeação.