Turismo em Lisboa representa um quinto do PIB da região

Em 2018, o turismo gerou 14,7 mil milhões de euros na Grande Lisboa. Sector empregava então 96 mil pessoas, directamente.

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Francisco Romao Pereira

Os milhares de turistas que chegaram a Lisboa em 2018 contribuíram para que o sector gerasse mais de 14,7 mil milhões de euros na região, um aumento de cerca de 11% em relação ao ano anterior, quando esse valor tinha sido de 13,2 mil milhões. Se recuarmos a 2005, a riqueza gerada pelo turismo na Grande Lisboa quadruplicou. Com este incremento, também o peso do sector no Produto Interno Bruto (PIB) da Área Metropolitana de Lisboa (AML) cresceu ligeiramente: passou de 19,7% em 2017, para 20,3% em 2018.  Tal significa que o turismo representa um quinto da riqueza gerada na AML. 

Estas são algumas das conclusões de um estudo que a consultora Deloitte desenvolveu para a Associação de Turismo de Lisboa (ATL) e que analisa a evolução da actividade turística na região em Lisboa, em 2018. O PÚBLICO pediu o estudo completo à assessoria de imprensa da ATL, que disse que o documento não poderia ser disponibilizado. 

Segundo os dados que constam neste estudo e que foram citados num comunicado da ATL, a actividade turística gerou, directa e indirectamente, quase mais dez mil postos de trabalho do que em 2017, totalizando 201.346 empregos. Destes, mais de 96 mil são empregos directos (em 2017 eram 91 mil). A ATL nota que “o emprego gerado por actividades do sector do Turismo tem vindo a crescer de forma ininterrupta desde 2013, sendo que os sectores de animação turística e comércio foram os que mais aumentaram em termos de manutenção/geração de postos de trabalho”. 

O estudo realça ainda que o valor das receitas gerado pelos estabelecimentos hoteleiros na região continua “em crescimento, desde 2012, tendo atingido o preço médio por quarto de 108,57 euros, em 2018” – mais cerca de oito euros do que em 2017. Também “o alojamento local continua a afirmar-se, tendo gerado mais 37,7% em receitas, quando comparado com 2017”, indicou a ATL. 

As receitas da restauração também aumentaram por via do turismo: superaram os 900 milhões de euros, em 2018 — mais 26% do que no ano anterior.

A ATL refere que “esta dinâmica crescente das diferentes actividades e agentes da cadeia de valor do sector é resultado de uma estratégia concertada entre parceiros públicos e privados e reflecte o efeito multiplicador do Turismo, enquanto sector de elevado impacto na economia de Lisboa e do país”. Em 2018, a procura turística em termos nacionais subiu 7,7%, para mais de 29,8 mil milhões de euros, correspondendo a 14,6% do PIB nacional. Tal significa que metade da riqueza gerada pelo turismo se deve aos turistas que chegam à capital

Segundo a ATL, os gastos dos turistas no sector da cultura, como museus e eventos e festivais de música, “têm aumentado progressivamente, tendo atingido o valor de 98 milhões de euros em 2018”.

À semelhança dos anos anteriores, a maioria dos turistas estrangeiros que visitou Lisboa em 2018 é proveniente do Brasil, França, Espanha, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Itália. Em média, gastaram 153,5 euros por dia — menos 7,6 euros do que em 2017 —, mas dormiram mais duas noites na região de Lisboa (4,5 noites). De acordo com a ATL, cerca de 90% dos turistas estrangeiros visitaram a capital pela primeira vez.

O Turismo de Negócios, uma das áreas onde a ATL já disse querer apostar, cresceu cerca de 18%, entre 2017 e 2018, tendo atingido mais de 260 milhões de euros. No que respeita ao número de participantes em congressos ou conferências registou-se um aumento de 50 mil participantes, para um total de cerca de 300 mil. 

Para o director-geral da ATL e presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT) da região de Lisboa, Vítor Costa, “estes resultados demonstram o acerto da estratégia de desenvolvimento regional do Turismo que tem vindo a ser implementada e colocam novos desafios à sustentabilidade económica, social, ambiental e territorial desta actividade, a que a implementação do novo Plano Estratégico recentemente aprovado tem que responder.”