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China prepara-se para abandonar o plástico descartável

País está em guerra contra o desperdício devido à enorme acumulação de resíduos. Grandes cidades chinesas ficam sem sacos de plástico já no final deste ano. Palhinhas e embalagens de take away dizem adeus nos próximos anos.

A China vai apertar as restrições à produção, venda e utilização de plástico descartável, numa tentativa de resolver um dos maiores problemas ambientais do país, onde grandes quantidades de resíduos plásticos não tratados são enviadas para aterros sanitários ou despejadas em rios. As Nações Unidas identificaram o plástico descartável, de utilização única, como um dos maiores desafios ambientais do mundo.

A decisão da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e do Ministério da Ecologia e Ambiente chineses foi anunciada este domingo.

Os sacos de plástico serão proibidos em todas as principais cidades da China até ao final de 2020, medida que se irá estender depois a todas as cidades e vilas até 2022. Até ao final deste ano, a restauração será proibida de usar palhinhas descartáveis. Outros itens, como utensílios de plástico usados em restaurantes com take away e envelopes almofadados de envio de encomendas, também serão eliminados.

O objectivo é que até 2025 as cidades e vilas chinesas reduzam em 30% a utilização de plástico descartável na restauração. Os mercados de produtos frescos estão fora da proibição nos próximos cinco anos.

Além disso, a produção e a venda de sacos plásticos com menos de 0,025 mm de espessura serão proibidas, assim como as películas com menos de 0,01 mm de espessura usadas na agricultura. Algumas regiões e sectores também terão mais restrições à produção e venda de plásticos, embora ainda não seja claro a que áreas geográficas estas se aplicam.

Em Janeiro de 2018, a China, que recebia muito do desperdício produzido noutros países, proibiu a importação de resíduos de plástico. Até então, era considerada a “lixeira” mundial do plástico: entre 1992 e 2016, a China terá recebido cerca de 106 milhões de toneladas de resíduos plásticos, o que representava quase metade das importações de resíduos plásticos do mundo. O país também fechou as portas ao uso de resíduos médicos na produção de plástico.

Hoje está a aumentar as taxas de reciclagem, construindo dezenas de locais de “utilização abrangente de recursos” para garantir que mais produtos sejam reutilizados. Até ao final do ano, o país espera atingir uma taxa de reciclagem de 35% em 46 cidades chinesas e implementar um sistema de reciclagem urbana a nível nacional até 2025.

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