Cinco jovens detidos por suspeita de homicídio qualificado de Giovani

PJ deteve cinco homens entre os 22 e os 35 anos, todos oriundos da região transmontana, que vão ser sujeitos a primeiro interrogatório judicial. Investigação concluiu que agressores não agiram por ódio racial.

Luís Giovani dos Santos Rodrigues
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A Polícia Judiciária (PJ) deteve cinco pessoas suspeitas do homicídio qualificado de Luís Giovani dos Santos Rodrigues, estudante do Instituto Politécnico de Bragança. A investigação concluiu que os suspeitos da morte do jovem cabo-verdiano não terão agido por ódio racial, mas na sequência de um desentendimento no interior de uma discoteca. 

A polícia anunciou esta sexta-feira que procedeu na quinta-feira à detenção de cinco homens, com idades entre os 22 e os 35 anos, na sequência de “buscas domiciliárias, inquirições e interrogatórios de várias pessoas suspeitas” de estarem envolvidas nos acontecimentos. Segundo o PÚBLICO apurou, os suspeitos são todos da região transmontana. A Judiciária dá ainda conta que foram “apreendidos elementos probatórios relevantes”.

O comunicado não revela que tipo de crimes são imputados aos detidos, mas o esclarecimento foi feito pelo director da PJ, Luís Neves, numa conferência de imprensa realizada às 12h30 nas instalações do Departamento de Investigação Criminal de Vila Real. “Os cinco suspeitos detidos estão indiciados por homicídio qualificado”, afirmou Neves, que confirmou que o crime teve motivações “fúteis”.

Os suspeitos “vão ser presentes às autoridades judiciárias competentes, para interrogatório judicial e aplicação de medidas de coacção, tidas por adequadas”, lê-se no comunicado enviado esta manhã às redacções. A acção operacional envolveu investigadores e peritos da PJ. Mas Luís Neves fez questão de sublinhar e agradecer a colaboração da PSP de Bragança.

O estudante de 21 anos morreu, no último dia de 2019, na sequência de uma violenta agressão à saída de uma discoteca em Bragança, na noite de 20 de Dezembro.

Nessa noite, Giovani esteve com três amigos no bar Lagoa Azul, no centro de Bragança. As imagens registadas pelo sistema de videovigilância não esclarecem o motivo, mas um primo de Giovani disse ao jornal luxemburguês em língua portuguesa Contacto que, sem querer, um dos amigos de Giovani tocou numa rapariga e o namorado dela não gostou. A direcção do bar garantiu que os funcionários tentaram acalmar os ânimos. O grande confronto aconteceu no exterior. Giovani foi encontrado no chão, cerca de 500 metros mais à frente, pelo carro patrulha da polícia. Seguiu de ambulância para o Hospital Distrital de Bragança e de lá foi transferido para o Hospital Geral de Santo António. Morreu dia 31 de Dezembro, por volta das 3h.

Funeral realiza-se sábado em Cabo Verde

O funeral realiza-se no próximo sábado, 18 de Janeiro, na ilha do Fogo.

Este caso deu origem a várias manifestações de solidariedade. No sábado passado, centenas de pessoas, vestidas com t-shirts brancas, juntaram-se em Lisboa e em Bragança para homenagear Giovani Rodrigues. No mesmo dia, na Praia, mais de mil pessoas exigiram justiça. Essa manifestação acabou por ficar descontrolada junto à embaixada portuguesa, com os participantes a derrubarem várias barreiras policiais.

No protesto de sábado, ecoaram as críticas à actuação das autoridades portuguesas. O director da PJ já fez questão de realçar que a Judiciária teve a preocupação de dar “uma palavra de estímulo e conforto” ao pai de Giovani e também ao embaixador de Cabo Verde em Portugal. Face à repercussão deste caso, Luís Neves frisou que Bragança é um território de grande acolhimento, nomeadamente para o povo “irmão” e “amigo” de Cabo Verde, que “é bem-vindo”. 

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