Há uma nova galeria de decoração em Lisboa com o melhor que se faz em África

Cláudia de Lemos defende que o seu projecto vem demonstrar que “África também consegue fazer peças bonitas e modernas”. Cada uma tem uma etiqueta que conta a sua história.

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Os candeeiros são feitos com vidro reciclado, apanhado pelos locais DR
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Existem peças de vários países, de Nigéria, Camarões, Moçambique e África do Sul DR
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Bonecas Namji, símbolo da fertilidade DR
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A loja fica no Pátio da Ribeira em Lisboa DR
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Existem candeeiros com vidro reciclado e filtros de ar de camiões DR

Lisboa. Cruzamos a entrada do Pátio da Ribeira. Podíamos estar em Alfama, mas este típico pátio português fica na Avenida 24 de Julho, junto ao Caís do Sodré. Seguimos a fragrância que conduz à porta da Amari, a nova galeria de decoração de Lisboa. A proprietária, Cláudia de Lemos, nasceu em Moçambique e cresceu em África do Sul. Além da pronúncia que mistura português e inglês, trouxe consigo uma selecção de peças de mobiliário e decoração. “No fundo foi trazer África comigo”, resume com um sorriso a luso-descendente.

Depois de uma visita a Portugal, em 2017, ficou “com a pulga atrás da orelha” e começou a pesquisar o mercado. Existiam lojas com “artigos decorativos que vêm de África”, mas “não como a Amari, que conta a sua história”, sublinha a empresária. A história de cada peça é um dos pormenores que diferencia a loja. Por exemplo, as pulseiras Benim são uma das peças preferidas de Cláudia de Lemos. Com curiosidade, pegamos no objecto feito de metal e surpreendentemente pesado para pôr no pulso. “As braceletes de Benim foram usadas como forma de moeda e estatuto. Estas braceletes eram forjadas no braço de uma noiva na cerimónia de casamento”, diz a etiqueta da peça.

O nome Amari vem do dialecto iorubá da Nigéria e significa ‘força’. Cláudia de Lemos explica que o termo lhe diz muito: “A força que eu tive para me mudar, porque na realidade é uma mudança de vida completa.”

Na galeria é possível encontrar um bocadinho de tudo: talheres, taças de papel prensado reciclado, cadeiras, peças decorativas, candeeiros, até uma mesa de jantar. “Acho que as pessoas não tinham mesmo ideia que África também consegue fazer peças bonitas e modernas”, desabafa a proprietária. Pela porta da Amari entram sobretudo curiosos, atraídos pelo cheiro, mas também entusiastas de decoração étnica. São sobretudo franceses, alemães, ingleses e espanhóis os que frequentam a loja, nacionalidades com ligação às colónias, tal como Portugal.

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Pulseira Benim DR

Uma forma de apoiar os artesões africanos

Cada peça conta uma história, que Cláudia e a filha Jéssica, parceira de negócio, fazem questão de explicar a cada cliente. Por exemplo, pela loja estão espalhadas cadeiras cobertas de missangas cozidas à mão. Cada uma demora em média três meses a ser feita e é “única e exclusiva”, garante a empresária, porque os padrões nunca se repetem.

Já no próximo mês, a loja vai lançar uma gama ecológica de iluminação, feita em material reciclado: com filtros de ar de camiões e vidro reciclado. “Através da Amari, queremos contribuir para a sustentabilidade e promover um desenvolvimento social”, explica Jéssica de Lemos, formada em ambiente e filantropia.

O projecto de iluminação é feito por cada cliente, que escolhe a altura, o formato e o tamanho. Só depois o candeeiro é feito. “[Queremos] demonstrar que é possível fazer peças giríssimas através de materiais simples, por estas comunidades menos avantajadas”, salienta a proprietária.

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Interior da loja DR

No caso dos candeeiros de vidro, são as comunidades a procurar os fragmentos que, depois de reciclados, são amarrados um por um, de acordo com o formato que o cliente quer. Cláudia de Lemos e a filha já trabalham com este projecto na África de Sul, onde estes candeeiros podem ser encontrados tanto em residências privadas, como centros comerciais, hotéis e restaurantes. O preço destas peças começa nos 180 euros.

A sair da loja, o sentimento é comparável ao terminar de uma viagem pelo continente africano, desde a Nigéria aos Camarões, passando pela África do Sul e Moçambique. Quem levar consigo uma peça, leva também um pouco de história.

Texto editado por Bárbara Wong

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