Luís Montenegro quer partido “à Cavaco”

O candidato à liderança do PSD assume que a sua política de alianças não inclui o Chega, ao contrário da de Miguel Pinto Luz.

Luís Montenegro (PSD)
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Luís Montenegro (PSD) LUSA/MIGUEL A. LOPES

O candidato à liderança do PSD Luís Montenegro afirmou, nesta quarta-feira, querer um partido “à Cavaco” e exigiu que o processo eleitoral interno seja “claro e transparente”, dizendo que é ao actual presidente que cabe dar essa garantia. Em entrevista à TSF, o antigo líder parlamentar do PSD referiu-se ainda a pagamentos massivos” de quotas no final do prazo em concelhias alegadamente afectas a Rui Rio.

“Quero, exijo um processo claro, transparente e respeitador das regras, mas quem tem de o garantir é quem está hoje a comandar o processo”, afirmou Montenegro.

Rui Rio afirmou, na terça-feira, querer que as eleições directas de sábado sejam “um acto limpo” e com regras iguais em todo o país, depois de serem conhecidas as intenções do PSD-Madeira de permitir que votem 2.500 militantes, apesar de a secretaria-geral apenas contabilizar 104 com quotas pagas à luz do novo regulamento.

Montenegro disse hoje esperar que “não haja nenhum fenómeno anómalo” nas directas de sábado, mas afirmou que houve “pagamentos massivos” de quotas nas últimas 48 horas do prazo, “por sinal em concelhias cujas lideranças apoiam” Rui Rio.

Questionado se tinha provas desses pagamentos massivos, Montenegro disse que os números disponíveis no site do partido “não podem desmentir” que existiram.

“Se foram feitos dentro das regras ou não, quero acreditar que sim, que foram massivos isso não há dúvida nenhuma”, disse, salientando que é o presidente do partido “o principal responsável pela realização em cumprimento com as regras desse acto eleitoral”.

Luís Montenegro reiterou como objectivo eleitoral que o partido volte a alcançar uma maioria absoluta e deixou a sua visão sobre como consegui-lo.

“Vamos ter um PSD à Cavaco, forte, mobilizado, um PSD basista, um PSD com uma ligação muito íntima à sociedade civil, através da sua militância e dos seus autarcas, mas também do envolvimento de muitas pessoas que, não sendo do PSD, vão colaborar connosco”, afirmou.

O candidato não rejeitou a possibilidade fazer  alianças para alcançar essa maioria absoluta com outros partidos como o CDS-PP, Iniciativa Liberal e até Aliança, mas excluindo o Chega.

“Com o Chega, tal qual hoje se apresenta aos portugueses com ideias radicais, não vejo essa possibilidade”, afirmou, apesar de dizer que o seu líder, André Ventura, “não deslustrou o PSD” quando foi candidato autárquico pelos sociais-democratas a Loures.

Eleições na bancada

Se for eleito líder do PSD, Montenegro promete “contar com todos” os 79 deputados do grupo parlamentar e não ter “intervenção directa” na escolha do próximo presidente da bancada.

“Serão os deputados a encontrar a solução para substituir o líder parlamentar que hoje temos e que se afirmou desde o início que era transitório”, assegurou, referindo-se a Rui Rio que assumiu o cargo até ao próximo Congresso.

Sobre a possibilidade de os três deputados do PSD-Madeira poderem furar a disciplina de voto no Orçamento do Estado, admite que “nenhum líder” gosta desse cenário - sobretudo se for decisivo para viabilizar o documento -, mas salientou que se houver “razões fundamentadas” a disciplina de voto pode ser levantada.

O presidente do PSD, Rui Rio, o antigo líder parlamentar Luís Montenegro e o actual vice-presidente da Câmara de Cascais disputam no sábado a presidência do partido em eleições directas.

Se nenhum deles obtiver mais de 50% dos votos, a segunda volta realiza-se uma semana depois, dia 18, entre os dois candidatos mais votados.

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