Erro durante cirurgia deixa paciente em chamas na Roménia

Mulher com cancro no pâncreas morre após sofrer queimaduras em 40% do corpo. Governo de Bucareste ordena investigação urgente. País é o que menos investe em saúde na União Europeia.

,Público
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Paulo Pimenta/arquivo

Uma mulher de 66 anos morreu este domingo num hospital na Roménia, uma semana depois de ter sofrido queimaduras em 40% do corpo durante uma cirurgia.

A paciente tinha dado entrada a 22 de Dezembro no hospital Floreasca, na capital Bucareste, para uma operação relacionada com um cancro do pâncreas. Antes da cirurgia, os médicos aplicaram um desinfectante à base de álcool e, durante o procedimento, utilizaram um bisturi eléctrico que, ao entrar em contacto com o álcool, provocou uma ignição que acabou por incendiar o corpo da mulher em plena mesa de operações. A vítima acabou por morrer dias depois.

Segundo a imprensa romena, citada pela BBC, as autoridades de Bucareste abriram uma investigação ao caso.

A família da vítima conta que nunca foi informada sobre a “gravidade da situação” ou o que tinha acontecido concretamente na sala de operações, mas apenas sobre a ocorrência de um “acidente” durante a cirurgia. Foi só através da televisão, mais tarde, que ficaram a saber que a mulher tinha sido queimada. “Não estamos a acusar ninguém, apenas queremos perceber o que aconteceu”, disseram familiares da mulher, citados pela BBC.

O ministro da Saúde da Roménia, Victor Costache, promete “fazer tudo o que for possível para descobrir a verdade”. 

“Esperamos aprender com este episódio perturbador”, afirmou Costache em comunicado.

“Os cirurgiões deveriam estar cientes de que é proibido usar um desinfectante à base de álcool durante procedimentos cirúrgicos realizados com um bisturi eléctrico”, acrescentou o ministro-adjunto romeno Horatiu Moldovan.

A Roménia, como recorda a BBC, é o país da União Europeia que menos investe na saúde, contando com alguns dos piores índices comunitários na área, incluindo as taxas de mortalidade infantil mais elevadas, assim como infra-estruturas hospitalares deficientes e uma enorme falta de médicos.

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