Chamas destroem mais de 200 casas em Valparaíso

A cidade, sede do Congresso chileno, foi atingida por um incêndio de grandes proporções que terá origem criminosa. Oito helicópteros e quatro aviões continuam a ajudar bombeiros e exército a combater as chamas.

Valparaíso
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O espectáculo triste do fogo durante a noite de consoada em Valparaíso LEANDRO TORCHIO/EPA
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As autoridades chilenas afirmam que há indícios de intencionalidade criminosa na origem do incêndio de grandes proporções que ainda esta quarta-feira ameaçava a cidade de Valparaíso, na costa do Pacífico, sede do Congresso e conhecida estância balnear. Mais de 200 residências já foram destruídas pelo fogo que começou na véspera de Natal nas serras Rocuant e San Roque, mas não há nenhuma morte a lamentar.

Ao todo, 20 brigadas de bombeiros, três do exército, ajudadas por 11 helicópteros, quatro aviões combate e um de coordenação, continuavam a combater as chamas que atingiram o perímetro da cidade de 300 mil habitantes.

“O mais provável é que o incêndio tenha tido origem criminosa, afirmou Jorge Martínez, intendente de Valparaíso, que governa a região em nome do Executivo, citado pelo La Tercera: Há vídeos, há vizinhos que assinalam os dois focos iniciais de incêndio por trás do caminho La Pólvora, vizinhos que me disseram ter visto quatro indivíduos a atear os dois pontos em simultâneo.” 

O ministro do Interior, Gonzalo Blumel, salientou que o Governo chileno vai apresentar queixa na justiça por delito de incêndio e pedir a pena máxima para os alegados autores. “Há indícios de que este incêndio poderá ter sido intencional, pelo que peço aos cidadãos que estejam alerta”, acrescentou.

Por seu lado, o presidente da câmara da cidade, Jorge Sharp, decretou o estado de emergência na comuna, tendo as autoridades mandado evacuar a zona de Costa Colorada e de La Isla. “Alguém, seja uma pessoa ou grupos de pessoas, quer ver Valparaíso destruída”, disse Sharp, citado pelo El Independiente.

O município já entrou com um processo na justiça contra os responsáveis pelo incêndio. “É necessário que se consiga sancionar os responsáveis com o máximo da pena que a lei contempla”, afirmava o chefe da assessoria jurídica da câmara, Nicolás Guzmán. A moldura penal chilena prevê penas que vão de cinco anos e um dia a 20 anos de prisão.

Em determinadas zonas por onde as chamas passaram e destruíram durante a noite e madrugada de Natal, os habitantes foram autorizados a regressar para reaver alguns dos seus bens que o fogo tenha poupado. A limpeza de destroços começou a ser feita com ajuda de voluntários.

“A minha casa foi atingida por uma bola de fogo que passou pela rua da frente. Aqui os bombeiros não tiveram mãos a medir e não pudemos contar com aviões e helicópteros mais potentes. Recebemos a ajuda dos vizinhos e de pessoas que chegaram de sítios diferentes para nos ajudar”, contava ao La Tercera Cristián Apablaza, habitante do Caminho 9, na serra Rocuant.

Apesar da dimensão, o incêndio não causou mortos, nem feridos, mas veio lembrar como a zona de Valparaíso, principal destino balnear na região centro do Chile, é a mais crítica (há meses que é considerada zona de catástrofe) de todas as que estão abrangidas pelo plano de prevenção e combate anunciado no princípio de Outubro: 120 mil milhões de pesos (143,8 milhões de euros) para evitar e lutar contra os incêndios florestais de Verão (que já começou) no contexto da pior seca dos últimos 60 anos no país.