Miguel Pinto Luz: “Injustamente, Passos Coelho levou com o rótulo de perigoso liberal”

Candidato à liderança do PSD assumiu, aos microfones da TSF, que o presidente do partido com quem mais se identifica é Pedro Passos Coelho.

Miguel Pinto Luz, candidato à presidência do PSD
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Miguel Pinto Luz, candidato à presidência do PSD LUSA/ANTÓNIO JOSÉ

“Identifico-me mais com Passos Coelho, mas chamo-me Miguel Pinto Luz”. A frase, em jeito de cartão-de-visita, foi proferida pelo candidato à liderança do PSD que é também vice-presidente da Câmara de Cascais. Sem contar com Sá Carneiro, o presidente do PSD com quem Miguel Pinto Luz tem mais afinidades é Pedro Passos Coelho. “Injustamente, levou com o rótulo de perigoso liberal”, diz.

Pinto Luz participou no programa Bloco Central, da TSF, e aproveitou para repetir que terá um programa diferente do que Rio Rio apresentou nas últimas eleições e para apresentar as suas prioridades. No topo está o Serviço Nacional de Saúde que, para o candidato à liderança do PSD, “está a ser desmantelado e qualquer dia" ao ponto de qualquer dia não haver “meios para acudir ao que aí vem.”

Durante o momento radiofónico, o vereador de Cascais mostrou-se várias vezes do lado oposto ao de Rui Rio a quem acusou de ter transformado o PSD “no partido de um homem só”. Uma das divergências registadas foi o voto do PSD contra a descida dos preços dos passes. “Esta foi uma iniciativa que nasceu dos autarcas do PSD de Lisboa”, lembrou, acrescentando que é socialmente justa, “aumenta a competitividade das áreas metropolitanas e que dá acesso às pessoas”.

Aeroporto do Montijo, necessidade de reformar a segurança social e descida do IVA da electricidade e do gás de 23% para 6% são outras áreas em que Miguel Pinto Luz pensa de forma diferente da de Rui Rio. “Não faz sentido” reduzir o IVA quando “uma das prioridades do país é atingir a neutralidade carbónica”. Sobre o “roteiro para a neutralidade carbónica”, o vice-presidente da Câmara de Cascais assume que “é estratégico para Portugal” e “não é uma coisinha dos ambientalistas”.

Defendendo que, em política, afunilar é sinónimo de perder votos, Miguel Pinto Luz concorda com Rui Rio na ideia de que é ao centro que se ganham eleições. “O PSD tem de se posicionar ao centro, porque é ao centro que se ganham eleições”, defendeu. “Quando o PSD nessas guerras estéreis de perceber qual é a pureza ideológica do partido, num partido que tem por base um catch all party, só tem a perder”.

Sobre o Orçamento do Estado para 2020, Pinto Luz insiste que, se fosse ele o líder, o PSD nunca decidiria o sentido de voto sem conhecer o documento. E acredita que “o PS terá que negociar muita coisa à direita”. Ainda assim, o autarca admite: “Dificilmente poderemos votar a favor.”