Francisco Romão Pereira

Quando a idade é um posto

Se é verdade que tudo o que é novo pode parecer melhor, há coisas que não perdem com a idade e, por mais anos que passem, permanecem sempre actuais. A indústria automóvel não é excepção e há emblemas e modelos que ostentam com orgulho as marcas do tempo.

Quando, em 1989, a Mazda lançou o MX-5 (o Miata, nos EUA, e, ainda hoje para muita gente no Velho Continente), a decisão da marca nipónica em apostar num roadster não foi consensual. Afinal, a moda do que circulava em estrada ditava que o consumidor estivesse ou voltado para carros grandes e espaçosos ou mais virado para soluções práticas, racionais e urbanas. O MX-5 não era nada disso. Era um exemplo de como era possível que alguém se inspirasse nos clássicos dos anos 1950 e 1960 e construísse um carro que era simultaneamente leve, dinâmico e cheio de estilo – mesmo que o estilo fosse possível de usufruir apenas por dois ocupantes. Porém, contrariamente ao que seria o seu destino natural (um carro de nicho com uma esperança de vida curta), o MX-5 de primeira geração vendeu mais de 400 mil exemplares, tendo convencido público e especialistas: foi Carro do Ano pela conceituada Automobile Magazine (1990) e manteve-se na lista dos dez melhores automóveis da Car and Driver durante dois anos – um feito!