Imagem da colecção de roupa de Shannon O'Connor
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Imagem da colecção de roupa de Shannon O'Connor

Ok, boomer”: o revirar de olhos (online) da geração Z

É a luta entre geração Z e os baby boomers — ou os que agem como eles. “Ok, boomer” coloca em palavras um revirar de olhos, mas também quer dizer que, por vezes, os mais velhos “estão errados”. A expressão já inspirou peças de roupa e músicas. E uma geração inteira.

É uma das mais populares piadas da Internet — e é, ao mesmo tempo, uma espécie de braço-de-ferro entre duas gerações: a geração Z (nascidos depois dos meados dos anos 90) e os baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964). Mas se, por um lado, a própria expressão — “ok, boomer” — já indica quem a profere (os mais novos), a aplicabilidade da mesma pode ainda suscitar dúvidas. Por isso, aqui vai um exemplo prático, que é também o relato da situação que tornou a frase viral. 

Tudo começou com um vídeo partilhado no TikTok — uma aplicação utilizada essencialmente pelos mais jovens, que serve para criar e partilhar pequenos vídeos —, onde um homem dizia que “os millennials e a geração Z têm a síndrome do Peter Pan — não querem crescer nunca”. Dizia também que “eles [millenials e geração Z] acreditam que os ideais utópicos da juventude se vão concretizar quando forem adultos”. As afirmações revoltaram os visados, que não tardaram muito em começar a comentar “ok, boomer”. Provavelmente porque o emoji que aparece a revirar os olhos não os tinha revirados o suficiente para mostrar o desagrado de toda uma geração.

A resposta foi repetida milhares de vezes e rapidamente passou para todas as outras redes sociais, tendo deixado de ser dada apenas aos baby boomers, mas a praticamente todas as pessoas que fazem comentários condescendentes acerca de jovens ou de assuntos que lhes interessam (já lá vamos). 

O sucesso é tanto que Shannon O'Connor, 19 anos, até já lançou uma linha de merchandising inspirada na expressão. Ao New York Times, a estudante de artes explicou que “muitos deles [baby boomers] não acreditam nas alterações climáticas, nem que as pessoas possam arranjar empregos se tiverem o cabelo pintado”. Responder “ok, boomer”, refere, é quase como dizer: “Vamos provar-vos que estão errados e que vamos ser bem-sucedidos, porque o mundo está a mudar”. As t-shirts, os chapéus e as camisolas com a expressão estampada (e, em letras mais pequenas, uma nota que deseja “um dia terrível") já valeram à jovem cerca de 25 mil dólares, segundo a BBC. 

A expressão não só está na moda, como já chegou a todo o lado — até ao Parlamento da Nova Zelândia. Chlöe Swarbrick, deputada de 25 anos do Partido Verde da Nova Zelândia, interrompeu o seu discurso sobre as alterações climáticas para responder “ok, boomer” a um deputado que a provocou. Se, por um lado, o vídeo fez as delícias dos jovens, também foi alvo de críticas. A deputada foi acusada de ter uma atitude arrogante e discriminatória com base na idade: “É vergonhoso que este tipo de atitude seja considerada engraçada, cómica ou aceitável, quando uma pessoa é desvalorizada tendo apenas em conta o factor idade”, lê-se num comentário no Facebook de Chlöe Swarbrick.

Esta é precisamente uma das principais críticas à expressão: o facto de ser discriminatória com base na idade. Mas Jonathan Williams, 20 anos, nega a ideia: “Na verdade, ser ‘boomer’ é um estado de espírito” — o que quer dizer que até os mais novos o podem ser, desde que tenham a atitude certa (ou errada?). “Não gostam de mudança, não entendem as coisas novas, especialmente relacionadas com a tecnologia, não percebem a igualdade”, explica o jovem, que lançou uma música inspirada na expressão. O título? “Ok, boomer”, evidentemente. Para ficar no ouvido.