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Pérola Negra celebra um ano de inclusão com um Cabaret Infinito

A Palmilha Dentada juntou-se ao aniversário deste mítico bar portuense, que agora vive uma terceira vida, para dar início a uma parceria semanal. A festa também se fez com música de NERVE, Actress, Arrogance Arrogance e Gusta-vo.

Paulo Pimenta
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Paulo Pimenta

Às 21h46 em ponto desta sexta-feira, 22 de Novembro, num estrado que há uns anos servia de palco para acrobacias libidinosas feitas com a ajuda de varões, Ivo Bastos desvenda algumas mentiras sobre o novo projecto da companhia de teatro que representa para uma casa cheia de gente e de fumo de cigarro. A Palmilha Dentada estreou o Cabaret Infinito no Pérola Negra, no Porto, que neste fim-de-semana está a celebrar o primeiro aniversário da sua terceira vida, uma festa que também recebeu o hip-hop de NERVE, o techno de Actress e dois nomes da casa: Arrogance Arrogance e Gusta-vo. No sábado, a celebração está entregue a Taylor McFerrin, Moullinex, Torres b2b NOIA, Rompante e Elite Athlete.

Em palco, o actor explica que na realidade o que vai ser apresentado “não é bem um cabaret”. Diz ainda que, por força de várias circunstâncias – quanto mais não seja pelo inconveniente de tanto actores, como audiência não viverem para sempre –, também não é propriamente infinito. Mas será de certeza, “durante tempo indefinido”, presença semanal daquela casa mítica da noite do Porto que, de há um ano para cá, sem esconder o seu passado, se renovou e transformou num clube que privilegia a diversão a partir de uma programação assente na música.

Quem o diz é Ricardo Alves, um dos fundadores da companhia, que explica ser vontade da Palmilha continuar o registo de café-teatro que, entre outros espaços, seguiam no extinto Tertúlia Castelense. Todas as quinta-feiras, sextas e sábados, sempre no horário habitual que a companhia estipulou para o início das suas peças, as noites do Pérola Negra vão começar com um espectáculo de cerca de uma hora, separados por quatro sketches diferentes – às quintas o bar abre propositadamente só para receber o grupo.

Depois de uma primeira experiência em Junho, quando ali levaram a cena durante cerca de dois meses e meio a peça O Bode do Restelo, o encenador diz que ficou acertado com o programador do espaço, Jonathan Tavares, continuar a parceria. Ricardo Alves diz que esta iniciativa será “uma espécie de tubo de ensaio” para testar textos e actores novos. Ao fim deste primeiro ano, Jonathan diz estar satisfeito com o caminho que o bar trilhou, abrindo agora as portas a iniciativas novas, como esta, mantendo outras noites já estabelecidas – como a Kebraku.

Há muitos anos que o Pérola Negra fechou portas como negócio do sexo. Depois de uma segunda vida curta como discoteca, de há um ano para cá estabeleceu-se como uma casa de referência na noite do Porto. Com a decoração quase intacta relativamente ao original – estão lá os varões e as bolas de espelhos –, o programador diz não se envergonhar do passado da casa e de o querer preservar a nível estético. Porém, não tem dúvidas: “O Pérola Negra agora é um espaço inclusivo, afastado de qualquer tipo de sexismo”.

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