Quase metade dos utilizadores em Portugal limita actividades online por receios de segurança

Novos dados do INE indicam que 28% dos utilizadores já se depararam com problemas de privacidade ou ameaças informáticas. Reservas em inserir dados em redes sociais é a situação mais comum.

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Andreia Patriarca/arquivo

Quase metade dos utilizadores de Internet em Portugal evitou ou limitou algumas actividades online devido a receios de segurança. Os dados, revelados nesta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística, indicam também que há mais pessoas a depararem-se com problemas de segurança online e a adoptarem um comportamento mais cauteloso do que há um ano.

Segundo a informação do INE, que resulta de um inquérito ao uso de tecnologias de informação, 49% dos utilizadores entre os 16 e os 74 anos afirmaram terem-se limitado em actividades como compras, inserção de dados em redes sociais ou o uso de serviços bancários online. É um número que fica dois pontos percentuais acima do valor de 2018.

O tipo de actividades que os utilizadores evitaram ou limitaram aponta sobretudo para uma maior preocupação com as questões de privacidade, um tema que tem sido alvo de discussão pública e cobertura mediática nos últimos anos: o fornecimento de informação pessoal a redes sociais ou profissionais foi o caso mais frequente na lista de preocupações, tendo sido referida por um terço dos utilizadores.

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As compras online também suscitaram reservas, tendo sido referidas por 26% dos inquiridos. O comércio online é um dos indicadores em que Portugal está historicamente muito atrás da média da União Europeia e as questões de segurança são tradicionalmente um dissuasor para alguns potenciais compradores. Os números deste ano indicam que quase 39% dos residentes em Portugal recorreram ao comércio electrónico (a média da UE é de 69%), uma subida de três pontos percentuais face a 2018. As faixas etárias mais novas continuam a ser as que mais fazem compras online, mas foi no escalão mais velho (entre os 65 e os 74 anos) que o INE registou a maior subida.

Na lista das actividades que motivaram reservas seguem-se os serviços bancários e o download de ficheiros, que foram apontados, cada um, por 23% das pessoas. E os serviços do Estado também não ficaram de fora. Cerca de um em cada dez inquiridos optou por limitar a comunicação ou interacção com serviços e organismos públicos – que estão no fundo da lista, mas são aqueles em relação aos quais as cautelas mais cresceram.

O inquérito do INE mostra ainda que há mais pessoas a lidar com problemas de privacidade e segurança online, em situações que vão das fraudes associadas a cartões bancários até casos de assédio em redes sociais. Foram 28% os inquiridos que afirmaram ter tido pelo menos um problema de segurança, uma subida de três pontos percentuais, que pode traduzir um aumento do número de ameaças online, mas também um maior conhecimento e precaução por parte dos utilizadores.

O problema mais vezes apontado foi a recepção de mensagens fraudulentas, referidas por 18% dos utilizadores. Estas mensagens tentam convencer os utilizadores a fornecerem informação (como dados bancários), muitas vezes encaminhando-os para sites semelhantes aos dos bancos.

Já a utilização de informação pessoal online “com consequências negativas para o próprio”, como situações de discriminação, assédio e bullying, surge no fundo da tabela (1% dos utilizadores), mas é a categoria cujo número de casos mais cresceu.

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A informação do INE traça também um retrato da penetração das tecnologias na população. A Internet chega agora a 81% das casas e é usada por 76% da população residente, números que ficam abaixo da média europeia. Aceder à Internet fora de casa é prática corrente, graças sobretudo à disseminação dos smartphones, um indicador no qual Portugal evoluiu nos anos recentes para um nível semelhante ao da União Europeia.

A troca de mensagens, o email e as redes sociais são, de longe, as actividades mais frequentes. Mas o maior crescimento aconteceu no grupo de pessoas que usam a Internet para interagir com equipamentos domésticos. É um tipo de tecnologia que tem vindo a ser promovido por várias empresas (de gigantes como o Google e a Amazon a fabricantes de electrodomésticos inteligentes) e que 11% dos utilizadores em Portugal dizem ter adoptado.

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