Dados de 2018

Número médio de filhos é o mais alto dos últimos 14 anos

A idade média das mulheres ao nascimento do primeiro filho voltou a aumentar, sendo agora de 29,8 anos. Na Área Metropolitana de Lisboa, 22% dos bebés de 2018 nasceram fora do casamento e sem coabitação dos pais.

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A percentagem de bebés que nasceram sem coabitação dos pais voltou a aumentar para os 18,7% Nelson Garrido

É um aumento muito ligeiro, mas, ainda assim, merece ser sublinhado: o número médio de filhos por mulher em idade fértil, o chamado índice sintético de fecundidade (ISF), subiu em 2018 para o valor mais alto dos últimos 14 anos: 1,41. É o que revelam as estatísticas demográficas do Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgadas esta sexta-feira. Apesar de continuar muito aquém do valor que seria necessário para garantir a substituição de gerações (2,1 filhos por mulher em idade fértil), desde 2005 que Portugal não registava um valor tão elevado.

Os 87.020 bebés que nasceram de mães residentes em território português em 2018 (mais 866 bebés do que em 2017) representaram um ligeiro aumento de 1% relativamente ao ano anterior. Mas a idade média das mulheres ao nascimento do primeiro filho continuou a aumentar: de 29,6 para 29,8 anos. De resto, ao contrário dos anos anteriores, os maiores aumentos da fecundidade verificaram-se entre as mulheres mais velhas, mais concretamente nos grupos etários dos 30-34 e dos 35-39 anos.

Um dado curioso é que a região Norte foi aquela em que as mulheres têm o primeiro filho numa idade mais avançada (30,2 anos). Ao contrário, no Algarve, a idade média ao nascimento do primeiro filho foi de 28,6 anos. Explicação possível: a menor ou maior presença de imigrantes em cada uma das regiões. Aliás, dos 87.020 bebés do ano passado, 9389 tinham mãe com nacionalidade estrangeira.

Quase 66% dos bebés nasceram fora do casamento

E, tal como nos anos anteriores, mais de metade dos bebés (55,9%) nasceram fora do casamento. Entre 2013 e 2018, a proporção de nados-vivos ocorridos dentro do casamento, com coabitação dos pais, diminuiu de 52,4% para 44,1%. E, dos bebés do ano passado, 18,7% não tinham os pais a viver na mesma casa (14,7% no ano anterior), num aumento que tem sido transversal a todas as regiões.

O Norte e os Açores destacam-se aqui por serem as únicas regiões do país em que mais de metade dos bebés nascem dentro do casamento. Mas o zoom que vale a pena fazer é sobre a Área Metropolitana de Lisboa onde 22% dos bebés nascem fora do casamento e sem coabitação dos pais. 

Mais casamentos e menos divórcios

Apesar disto, houve mais gente a casar-se em 2018. Os 34.637 casamentos desse ano representaram um aumento de 3% relativamente ao anterior. Em mais de metade dos casos (59,8%), as pessoas já viviam juntas, tendo aumentado para 67,1% os casais que dispensaram a Igreja e se limitaram a uma cerimónia civil.

Ainda quanto ao casamento, manteve-se a tendência, que se tem mantido estável ao longo das últimas décadas, para adiar a idade em que se dá o nó: em 2018, os homens casaram em média aos 33,6 anos e as mulheres aos 32,1 anos.

Fosse porque concluíssem que, afinal, não era para sempre, fosse pela morte de um dos cônjuges, o ano passado ficou marcado por 60.351 dissoluções de casamento, sendo que os 20.345 divórcios de 2018 traduziram uma diminuição absoluta de 811 divórcios relativamente ao ano anterior.