Ciclo Sophia e as Artes começa este sábado no Porto

A sessão Sophia e a Música abre este sábado à tarde, na Biblioteca Almeida Garrett, um ciclo de conferências dedicado ao diálogo que a obra de Sophia de Mello Breyner Andresen estabelece com as diversas artes.

Sophia de Mello Breyner Andresen
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Espólio da poeta na Biblioteca Nacional de Portugal rui gaudêncio

As comemorações do centenário de Sophia Mello Breyner Andresen regressam neste final do ano ao Porto, a sua cidade Natal, com o ciclo de conferências Sophia e as Artes, que se dividirá entre a Biblioteca Municipal Almeida Garrett e a Fundação de Serralves, e que, ao longo de cinco sábados consecutivos, irá sublinhar e interrogar o ininterrupto diálogo que a poesia da autora manteve com outras formas artísticas, da música ou da dança (cuja grafia lamentava, porque o “ç”, dizia, era “uma letra sentada” e o “s” lhe parecia mais dançante) à pintura, à escultura ou à arquitectura.

Organizado por Ana Luísa Amaral, Isabel Pires de Lima e Rosa Maria Martelo, o ciclo abre já este sábado, dia 16, com a sessão Sophia e a Música, que reunirá na Biblioteca Almeida Garrett, pelas 17h30, o ensaísta Pedro Eiras e o compositor e pianista Amílcar Vasques-Dias. A ideia foi juntar, em cada sessão, um conhecedor da obra de Sophia e um especialista da disciplina artística em causa, explicou ao PÚBLICO a ensaísta Rosa Maria Martelo.

Mas pode dizer-se que, neste caso, ambos os oradores, que serão moderados por Ana Luísa Amaral, penetram um tanto no terreno do seu interlocutor. Se Pedro Eiras conhece bem a obra de Sophia — a par dos ensaios e artigos que lhe foi dedicando em revistas e colóquios, deve-se-lhe ainda o prefácio da mais recente reedição autónoma do livro de estreia da autora, Poesia —, a música também não lhe é indiferente, como o demonstra esse singularíssimo livro a que chamou apenas Bach, editado pela Assírio & Alvim em 2015. E Amílcar Vasques-Dias, que estudou com Stockhausen e Xenakis, não apenas compôs uma peça dedicada a Sophia, A-Maris (2017), como escreveu uma canção para um dos mais extraordinários poemas da autora, que se intitula Soror Mariana – Beja e se resume a dois versos: “Cortaram os trigos. Agora/ A minha solidão vê-se melhor”.

Apoiado pela Câmara Municipal do Porto, pela Fundação de Serralves e pelo Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, da Faculdade de Letras do Porto, ao qual pertencem as suas três organizadoras, este ciclo prossegue nos dois sábados seguintes, sempre às 17h30, com duas sessões em Serralves, respectivamente dedicadas à Dança (Carlos Mendes de Sousa e Joana Providência) e às Artes Plásticas (Maria Filomena Molder e Nuno Faria), regressa depois à Biblioteca Almeida Garrett, a 7 de Dezembro, para uma sessão dedicada à Forma (Maria Irene Ramalho e Teresa Andresen), que abordará mais transversalmente aquilo que estrutura a relação de Sophia com as diversas artes, e encerra no sábado seguinte, de novo em Serralves, com uma performance expressamente encomendada pela fundação portuense às artistas Angelica e Vuduvum.

“Nos poemas de Sophia encontramos com bastante frequência referências ao desenho, à pintura, à escultura, à arquitectura, à música e à dança, e em todas elas ressalta o encantamento da poeta perante a intensidade de presença das criações artísticas, que a emocionam pelo modo como intensificam o visível, o ritmo, o movimento, as formas”, diz Rosa Maria Martelo, observando que “entender os diálogos de Sophia com as artes é, necessariamente, uma forma de entender melhor a sua poesia”.

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