Rio diz-se pouco vocacionado para questões “do domínio da mercearia”

Conselho nacional do PSD reune-se pela primeira vez desde as legislativas

O líder do PSD vai ser confrontado com dificuldades no pagamento de quotas
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O líder do PSD vai ser confrontado com dificuldades no pagamento de quotas paulo pimenta

O presidente dos sociais-democratas, Rui Rio, afirmou esta sexta-feira que irá falar sobre as “perspectivas futuras da actuação do PSD”, dizendo-se pouco vocacionado para questões “do domínio da mercearia”.

À entrada para o Conselho Nacional do PSD, em Bragança, Rui Rio, afirmou aos jornalistas que irá fazer uma análise dos resultados eleitorais das últimas legislativas, em que o PSD obteve 27,7% dos votos e 79 deputados.

“Tenho de fazer uma análise do que são os resultados eleitorais, este órgão nunca reuniu depois de 6 de Outubro e provavelmente esta será a última vez antes do congresso. E também aquilo que para mim são as perspectivas futuras do que deve ser a atuação do PSD”, afirmou.

Questionado se irá também abordar a polémica dos últimos dias sobre o pagamento das quotas pelos militantes, o líder do PSD considerou que no seu cargo terá outros assuntos mais importantes para tratar.

“Não sou muito vocacionado para essas questões administrativas no cargo em que estou, acho que há coisas mais importantes que isso no domínio da mercearia”, afirmou.

Além da marcação das eleições directas e do Congresso, o Conselho Nacional de hoje deverá também debater o regulamento de quotizações do partido, aprovado em julho, e que alguns críticos da direcção dizem estar a dificultar o pagamento de quotas pelos militantes, uma condição para se poder votar nas eleições internas do partido. 

À entrada para a reunião, o líder da distrital de Viseu e apoiante do candidato à liderança Luís Montenegro, Pedro Alves, disse que este conselho nacional deve ser “de reflexão sobre o mandato de Rui Rio” e não para fazer uma disputa interna.

Sobre a polémica das quotas, o deputado e conselheiro nacional questionou sobretudo o momento em que este foi aprovado, em Julho deste ano, em final do mandato da actual direcção.

“Porque é que só no final do mandato é que se altera? Quer dizer que durante todo o mandato a direcção deixou que se fizessem vigarices”, afirmou.

Sem concretizar, Pedro Alves assegurou ainda que “haverá certamente” propostas para aperfeiçoar este regulamento.

“Vamos ver o que vai sair da discussão que vamos apresentar, o objectivo deve ser aumentar o número de militantes com capacidade activa para poder votar, se assim não quiserem o PSD vai tornar-se um partido pequeno”, advertiu.

Em nome da candidatura de Miguel Pinto Luz, o antigo autarca de Óbidos Telmo Faria pediu um debate “com elegância” e sem agressividade, falando aos jornalistas ao lado do antigo secretário-geral do PSD José Matos Rosa.

“O PSD precisa de fazer um bom combate, mas precisa de dar ao país a imagem de novos rostos, novas ideias e procurar o seu posicionamento face aos problemas do país, espero que este conselho nacional seja o início desse grande debate com elegância, com motivação”, afirmou.

Questionado se irá apresentar alguma proposta de alteração ao regulamento, Telmo Faria respondeu negativamente.

“O nosso campeonato é discutir política, não viemos focados na questão dos regulamentos, dos regimentos”, afirmou, dizendo querer confiar que os militantes que queiram participar “possam participar”.