Opinião

O triunfo da política anedótica

O Livre corre o risco de afirmar a sua diferença não por aquilo que efectivamente o distingue como ideário e respectivos temas de luta mas pela facilidade com que recorre às provocações caricaturais

Regressei ontem a Portugal depois de cinco dias em Paris e pus-me logo a ler em ritmo acelerado os jornais que deixara para trás. A experiência foi bastante instrutiva – o que talvez não tivesse acontecido se, por exemplo, me fizesse acompanhar de um computador para seguir com regularidade a actualidade portuguesa. Não quis misturar sensações, informações e experiências, ocupando-me a desfrutar, por exemplo, três exposições verdadeiramente memoráveis: a de Francis Bacon, no Pompidou, a de El Greco, no Grand Palais (onde também se pode ver uma muito decepcionante retrospectiva de Toulouse Lautrec) e a da surpreendente e quase desconhecida fase figurativa de Mondrian, um dos maiores abstraccionistas, no museu Marmottan Monet (onde também pude matar saudades do próprio Monet, um dos meus impressionistas favoritos).