Explosão em comboio causa mais de 70 mortos no Paquistão

Passageiros levaram uma botija de gás para aquecerem comida, que acabou por explodir. Há pelo menos 40 feridos.

Explosão afectou três carruagens do comboio com destino a Rawalpindi
Foto
Explosão afectou três carruagens do comboio com destino a Rawalpindi Reuters/STRINGER

A explosão de uma botija de gás num comboio no Paquistão causou pelo menos 71 mortos e 40 feridos, muitos dos quais em estado grave.

O acidente ocorreu a bordo do comboio que liga as cidades de Karachi, no Sul, a Rawalpindi, perto da capital, Islamabad.  Uma botija de gás utilizada por alguns passageiros para aquecer alimentos explodiu, segundo o ministro responsável pelo transporte ferroviário, Sheikh Rashid Ahmed, citado pela BBC.

As imagens mostram as carruagens envolvidas em fumo e chamas. O fogo estendeu-se a três das carruagens do comboio que fazia o serviço diário do expresso Tezgam, o nome de um dos mais antigos dos serviços ferroviários do Paquistão, segundo o jornal paquistanês Dawn.

Ao fim de algumas horas, o incêndio foi dominado, os restos da carruagem removidos e a circulação retomada. As equipas de investigação forense estão ainda a analisar o material genético das vítimas para poder fazer uma identificação, diz o Governo.

O comboio estava lotado e muita gente pode ter morrido ao saltar das carruagens quando ainda estavam em andamento. Pelo menos 40 pessoas foram hospitalizadas, algumas com ferimentos graves. As autoridades avisam que o número de mortos pode ainda subir, uma vez que em média cada carruagem tem lotação para 70 pessoas.

Apesar de ser proibido viajar de comboio com material inflamável, muitos passageiros continuam a levar botijas de gás, fogões e óleo para cozinhar a bordo. Trata-se de viagens muito longas – o percurso do Tezgam costuma durar mais de 25 horas.

O primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, disse estar “profundamente triste com a terrível tragédia” e garantiu que vai ser aberta uma investigação.

O ministro dos caminhos-de-ferro assumiu que houve uma “falha” dos serviços ferroviários por não terem impedido a entrada de material inflamável. É provável que os passageiros tenham “escondido a botija de gás nas suas roupas”, disse ao jornal Dawn Nabila Aslam, funcionário dos caminhos-de-ferro.

Este é o pior desastre ferroviário no Paquistão na última década, onde os acidentes que envolvem muitas vítimas são comuns devido às más condições das infra-estruturas ferroviárias e por geralmente os comboios andarem lotados. Em 2007, 56 pessoas morreram e mais de 120 ficaram feridas na sequência do descarrilamento do Expresso de Karachi.

Dois anos antes, mais de 130 pessoas morreram quando três comboios colidiram na província de Sindh, naquele que foi um dos piores desastres ferroviários de sempre no país.