Fotografia

Na Bolívia, os aimará já voltam as costas a Evo Morales

O clima de incerteza continua a pairar na Bolívia depois das eleições presidenciais de 20 de Outubro, cujos resultados ainda não foram oficialmente anunciados. Mas desta vez, ao contrário das outras corridas eleitorais, Evo Morales não contou com o apoio incondicional dos aimará, mostra a Reuters.

REUTERS|Manuel Seoane
Fotogaleria
REUTERS|Manuel Seoane

Evo Morales chegou ao poder, em 2006, com a promessa de defender os grupos indígenas marginalizados da Bolívia — incluindo o seu próprio povo, os aimará, que o apoiaram incondicionalmente durante as corridas eleitorais que o mantiveram no poder. No entanto, algo mudou. Morales recandidatou-se a um quarto mandato consecutivo nas eleições presidenciais que se realizaram este domingo, 20 de Outubro, mas pela primeira vez não conta com o mesmo apoio destes grupos, que equivalem a quatro milhões de votos. A comunidade indígena está dividida.

E é entre os aimará que a divisão é mais notória. Yolanda Mamani, de 34 anos, locutora de rádio e apresentadora do programa Big Mouth Cholita, não é apoiante de Evo Morales. "As ideologias indígenas não foram representadas, politicamente", explicou à Reuters. E acusa o presidente de utilizar o "trunfo" indígena de forma frívola; a sua imagem, sempre associada à lã de alpaca colorida, "não passa de uma encenação sem substância real", afirma. "É como um desfile de moda de folclore", compara a mulher indígena que migrou do cume do Lago Titicaca para El Alto, perto de La Paz, aos nove anos.

Sonia Quispe, de 27 anos, produtora audiovisual que fala e escreve dialecto aimará, acredita que "nos últimos 13 anos de governo de Morales foram os mais pobres quem beneficiou, os lavradores que vivem da terra". Sabe que o presidente não é perfeito e não esquece os escândalos de corrupção que estalaram durante os seus mandatos. Ainda assim, vê Morales como o único candidato capaz de proteger os mais pobres.

A cholita Diosa Temis considera o governo de Morales "desigual". Está desiludida com o líder. "Como é que eles podem governar para os pobres quando gastam milhões em luxos? Na primeira vez que assumiu o poder, depois das primeiras eleições, eles fizeram coisas boas, mas agora percebo que foi apenas para nos conquistarem a simpatia. Este não é um governo bom para todos ou para os pobres, como eles dizem, mas sim, apenas, para aqueles que o apoiam."

A deputada aimará Mercedes Marquez mantém o apoio por considerar que o líder foi capaz de colocar um travão "à humilhação e repressão" que, há tantos anos, fustigavam as comunidades indígenas bolivianas. No seu escritório em La Paz, a antiga costureira aponta como argumento pró-Morales "o estável crescimento económico" sob os seus governos, "um dos mais fiáveis numa região volátil". "Agora todos temos gás em casa, infra-estruturas modernas de educação, estradas pavimentadas, campos de futebol, subsídios para crianças, adultos e mães, sistema nacional de saúde, zero iliteracia, luta activa contra a pobreza, transportes e mercados modernos", relembra. "Eu apoio a reeleição de Morales e (do vice-presidente) Linera. Se não eles, quem?"

O principal rival de Morales é Carlos Mesa, candidato de tendência política neoliberal. As sondagens apontavam para uma disputa renhida, mas o processo mantém-se em suspenso. A contagem de votos foi interrompida abruptamente no momento em que os resultados apontavam para uma segunda volta — o que levou Mesa a acusar o adversário de "manipulação" das eleições. A publicação de novos números na segunda-feira à noite, dando quase como certa a reeleição de Evo Morales, gerou duras críticas, com a oposição a afirmar que se estava perante uma “fraude eleitoral”. Em reacção, multidões saíram à rua, envolvendo-se em violentos confrontos com a polícia. Entretanto, o vice-presidente do tribunal eleitoral demitiu-se e há um apelo à greve geral, enquanto Morales já veio a público acusar a oposição de estar a orquestrar um golpe de Estado.

REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
REUTERS|Manuel Seoane
Sugerir correcção