Torne-se perito

CDU espera explicações sobre obras que estão a causar acidentes na Foz

Câmara do Porto informou “verbalmente” vereadora da CDU que iria “proceder a alguns ajustes”. Ciclovia na Avenida Brasil tem sido contestada por ter encurtado a largura da via

Foto
Ciclovia funcionava no passeio e passou a ocupar parte da via Adriano Miranda

A vereadora da CDU na Câmara do Porto, Ilda Figueiredo, disse esta quarta-feira aguardar ainda uma resposta formal ao pedido de esclarecimento submetido na semana passada sobre o novo esquema de mobilidade na Avenida Brasil, cujas alterações têm causado vários incidentes. Formalmente, explicou, não recebeu qualquer resposta da autarquia às questões colocadas no requerimento, embora “verbalmente” lhe tenha sido dito que “iram proceder a alguns ajustes”.

Nos últimos dias, são várias as fotografias partilhadas nas redes sociais que dão conta de pequenos incidentes com automóveis naquela via, cuja largura foi encurtada na sequência das alterações introduzidas pelo novo esquema de mobilidade definido pela Câmara do Porto. Há relatos de vários pneus furados e até retrovisores partidos, e de autocarros a ocuparem, praticamente, as duas faixas de rodagem. No local, e após a polémica, foram, entretanto, colocados pinos junto aos separadores centrais.

No novo esquema de mobilidade da Avenida Brasil e da Avenida Montevideu, a autarquia mantém as quatro vias de circulação, duas em cada sentido, mas transfere para a faixa de rodagem a ciclovia - até aqui localizada no passeio - encurtando, assim, a largura das faixas.

No requerimento apresentado no dia 17 de Outubro, a CDU refere que o Regulamento do Plano Director Municipal (PDM) estipula que “quando existem duas ou vias de trânsito numa faixa de rodagem a largura destas deverá ser, em regra, de 3,45 metros”, contudo, neste caso, aponta a vereadora, constata-se que “as duas vias de trânsito da faixa de rodagem no sentido Sul/ Norte apresentam uma largura estreita”.

Acresce que, salienta Ilda Figueiredo, na delimitação da faixa para bicicletas foram aplicados “uns blocos trapezoidais pintados de cor branca cuja visibilidade é diminuta, tendo ocasionado já vários embates, até agora sem consequências demasiado graves”, desconhecendo-se para já se os tais blocos ali permanecerão após o final das obras.

“Sendo certo que, por se tratar de linha continua, os veículos não a deveriam transpor, é inaceitável que ali sejam colocados elementos que podem agravar os feitos de uma eventual infracção”, lê-se no requerimento, onde se questiona ainda de que “forma vai ser feita a delimitação física definitiva da faixa para bicicletas” e quais as medidas que vão ser tomadas de imediato para evitar novos embates.

A vereadora quer ainda saber se, no projecto da obra na Avenida Brasil, foi acautelada a dimensão das vias de trânsito, e se a mesma “está em concordância” com os 3,45 metros definidos no Regulamento do PDM; ou se, se assim não for, quem autorizou a dimensão que actualmente se verifica.

A Lusa questionou, na terça-feira, a autarquia sobre os ajustes que estão a ser ponderados para minimizar os pequenos acidentes que se têm registado, mas até ao momento não obteve resposta. Antes, no dia 9 de Outubro, em resposta enviada à Lusa, a autarquia esclarecia que o estreitamente das vias era “intencional”, por forma a obrigar à redução da velocidade, mas garantia que “existe largura suficiente para circularem dois veículos em cada sentido ou para se realizar uma ultrapassagem de um veículo parado”.

O município explicava que a passagem da ciclovia para a faixa de rodagem não se coaduna com circulação de peões, por uma questão de segurança, salientando que “tem registo de atropelamentos graves de ciclistas a peões no passeio dos passeios das Avenidas Brasil e Montevideu” e acrescentava que a ciclovia da Rua Coronel Raul Peres, a sul da Avenida Brasil, “é um caso de sucesso, apesar de ser uma zona mais limitada em termos de espaço, mas onde não há registo de acidentes”. Nessa resposta, a câmara revelava ainda que vão ser criadas novas passadeiras, a jusante e a montante de todos os entroncamentos.