Tudo é rápido nas notícias, mas não na vida das pessoas, afirma Presidente

Na inauguração de um jardim de infância em Midões (Tábua) destruído pelo fogo há dois anos, Marcelo sublinhou que “fazer viver a lei e ela chegar à vida do dia-a-dia é muito mais difícil” e que é preciso meios para que o ordenamento florestal possa ser mais rápido.

Marcelo inaugurou um jardim de infância destruído pelos incêndios
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Marcelo inaugurou um jardim de infância destruído pelos incêndios LUSA/NUNO ANDRÉ FERREIRA

O Presidente da República disse esta terça-feira que tudo é rápido nas notícias, mas não na vida das pessoas, o que justifica que os problemas provocados pelos incêndios de Outubro de 2017 sejam resolvidos a ritmos diferentes.

“Hoje é tudo tão rápido nas notícias, mas não é rápido na vida das pessoas. Há uma diferença entre o país nas notícias e o país na vida das pessoas”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, ao discursar na cerimónia de inauguração do Jardim de Infância de Midões, no concelho de Tábua, que há dois anos foi destruído pelas chamas.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, “fazer uma lei demora tempo, aplicar a lei, mudar a lei, corrigir a lei, fazer viver a lei e ela chegar à vida do dia-a-dia é muito mais difícil.

Repensar a floresta, reiniciar uma actividade agrícola, colocar uma actividade empresarial à velocidade normal e recomeçar a vida pessoal, familiar e comunitária foram alguns exemplos que apontou.

Em declarações aos jornalistas no final da cerimónia, o Presidente da República lembrou que “as regras foram definidas, umas prometeram resolver mais rapidamente os problemas das pessoas, outras foram sendo revistas, adaptadas e ajustadas”.

“As pessoas viram os seus problemas resolvidos a ritmos diferentes, uns mais depressa, outros um pouco mais devagar e outros estão agora ainda a começar a ver resolvidos os problemas”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que todos, no momento da tragédia, desejaram que fosse possível “em seis meses ou um ano ver de pé aquilo que estava destruído”.

No entanto, “depois a realidade é mais complicada do que as leis, do que os fundos, do que os concursos, do que as regras”, considerou, acrescentando que, no entanto, “na área da segunda tragédia, houve uma massa crítica maior, que permitiu uma reacção mais forte, mais promissora e mais esperançosa para o futuro”.

No que respeita ao ordenamento florestal, o Presidente da República disse que “é sempre mais lento por natureza”. “Todos - populações, autarcas, actividade económica, produtores e proprietários - têm que fazer um esforço, mas têm que ter meios para o fazer, para que realmente também aí o ordenamento possa ser mais rápido do que porventura terá sido”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa disse que “o cadastro avançou e tem avançado”, no entanto, “fica sempre muito aquém” da velocidade que espera que venha a ter no futuro.

Os incêndios de Outubro de 2017 na região Centro provocaram a morte a 50 pessoas, fizeram 70 feridos e destruíram total ou parcialmente cerca de milhar e meio de casas e mais de 500 empresas.

Metade dos óbitos ocorreu no distrito de Coimbra (13 das quais no concelho de Oliveira do Hospital e 12 nos municípios de Arganil, Pampilhosa da Serra, Penacova e Tábua) e 17 em Viseu (Carregal do Sal, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Santa Comba Dão e Tondela).

Os restantes falecimentos registaram-se na autoestrada Aveiro-Vilar Formoso (A25), nas zonas de Sever do Vouga (Aveiro) e de Pinhel (Guarda), e no concelho de Seia (Guarda).