Entrevista

PDR defende revogação imediata do Acordo Ortográfico

O Partido Democrático Republicano defende o fim do Acordo Ortográfico por motivos históricos e pela confusão que estas alterações causaram.

Pardal Henriques, cabeça de lista do PDR por Lisboa
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Pardal Henriques, cabeça de lista do PDR por Lisboa rui Gaudencio

O cabeça de lista do PDR por Lisboa, Pedro Pardal Henriques, diz ao PÚBLICO que o Acordo Ortográfico faz com que os portugueses estejam “cada vez mais afastados” das suas raízes.

Porque é que o PDR considera necessário revogar o Acordo Ortográfico?

Não concordamos com o Acordo Ortográfico por vários motivos, alguns históricos e outros mais práticos. Relativamente à historicidade, a língua portuguesa é um produto da história e a nossa história diz que a nossa língua provém do latim, com alterações impostas por outros povos, como os gregos. Não conseguimos entender, sem qualquer fundamento credível, que se venha apagar esta historicidade e que se perca esta preservação do património histórico que é a nossa língua. Estamos perante um movimento infundado de apagamento da nossa história e que nos afasta cada vez mais das nossas raízes.

Relativamente a questões mais práticas, o Acordo Ortográfico foi feito para aproximar a língua portuguesa de Portugal à língua portuguesa do Brasil e para que se pudessem vender mais livros portugueses no Brasil, pelo menos é o que aqueles que estiveram na base deste Acordo afirmaram como um dos seus fundamentos. Entendemos que é um perfeito disparate, uma vez que nem sequer aproximou as línguas. Continuam a existir muitas diferenças entre as mesmas formas de escrever português. Não aproximou e ainda afastou mais as nossas línguas, porque o número de palavras que se escreviam de forma diferente veio aumentar quase para o dobro.

O acordo foi adoptado na generalidade. Pelo menos em Portugal, seria fácil reverter a decisão?

Não acho que seja fácil, mas existem algumas petições neste sentido e creio que a grande maioria da população estará de acordo em não se ter de adoptar este Acordo Ortográfico, que já está praticamente implementado. Com ele perde-se história, perde-se personalidade, perdem-se as nossas raízes e isto não é bom para nós, enquanto cidadãos portugueses, nem para os nossos descendentes. Estamos cada vez mais afastados daquilo que esteve nas nossas raízes.

Acredita que os portugueses estão insatisfeitos com o acordo?

Acredito que grande parte da população portuguesa, que ainda esteve com a outra forma de escrever português, a das nossas raízes, está contra esta nova forma de escrever português. Até porque fica muito confuso, não há forma de justificar muitas destas palavras que se tentam escrever da mesma forma como se fala e acaba for ficar esquisito.

Quando se devia deixar de aplicar o acordo?

Imediatamente. Uma das nossas intenções seria batermo-nos por isto e lançar este repto dentro da Assembleia da República para revogar este Acordo Ortográfico.

Como o faria? Por decreto?

Seria necessário fazer uma proposta e debater para que os outros partidos com assento parlamentar pudessem também dar a sua opinião.