Marinho e Pinto: “As greves não devem ser decididas entre Jerónimo de Sousa e António Costa”

Candidatos do PDR dizem que não precisam de política para sobreviver. O partido quer um “salário digno” e “servir os portugueses”.

,Eleição legislativa portuguesa, 2019
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LUSA/MIGUEL A. LOPES

A luta por um salário digno é o principal objectivo do PDR - Partido Democrático Republicano, que apresentou esta segunda-feira, em Lisboa, o seu programa às eleições legislativas de 6 de Outubro. A bordo da caravela Príncipe Perfeito, em Alcântara, o líder do partido, Marinho e Pinto, defendeu que “um salário digno tem de ser acima do salário mínimo” mas não estabeleceu um valor concreto, dizendo apenas que pode ser diferente conforme a região do país ou a empresa.

“Coragem para mudar” é o slogan da campanha do partido e a reforma do sistema eleitoral é uma das alterações que o PDR propõe. Para Marinho e Pinto, que se queixa de travar um combate desigual, “o método de Hondt não responsabiliza o eleito perante os eleitores” e o Parlamento deveria ter duas câmaras.

Além disso, “os tribunais não devem ter competências políticas” e, por isso, “o Tribunal Constitucional não devia fazer fiscalização prévia” de leis. Para garantir a renovação, o PDR também propõe a limitação de mandatos e a existência de 115 círculos eleitorais que elegeriam 115 deputados para a Assembleia da República. “Isto aproximaria os eleitos dos eleitores.”

Perante cerca de 50 apoiantes, o cabeça de lista do PDR por Lisboa, Pedro Pardal Henriques, fez questão de sublinhar que os candidatos do partido não são “políticos profissionais” e é isso que “faz a diferença” nesta candidatura. “Foi o primeiro-ministro quem me convenceu a aceitar este convite”, voltou a referir o antigo porta-voz do Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas. E acrescentou: “Somos pessoas de grande valor, que sabem o que é trabalhar, estar do outro lado.”

Pardal Henriques e Marinho e Pinto reforçaram que pretendem um “sindicalismo independente e livre”, ao contrário do que dizem acontecer actualmente, em que “mais de 90% dos sindicatos são controlados por três partidos políticos: PS, PSD e PCP”. “As greves não devem ser decididas entre Jerónimo de Sousa e António Costa”, disse Marinho e Pinto.

A criação do Ministério das Comunidades, que ficaria com a tutela dos consulados, é outra das medidas propostas pelo PDR. Para Marinho e Pinto, os problemas dos emigrantes não devem ser tratados no Ministério dos Negócios Estrangeiros, porque são portugueses, não são negócios nem estrangeiros.

Para combater a desertificação e investir no interior do país, o PDR defende a criação de um tribunal por cada sede de concelho. A luta contra a corrupção, a aposta numa “cidadania activa”, a “revogação imediata do Acordo Ortográfico”, o fim dos estágios não remunerados são outras apostas do partido, enunciadas por Bruno Fialho, cabeça de lista do PDR por Setúbal. O PDR também pretende impedir o avanço do Aeroporto do Montijo e promete surpresas na área da ecologia. “A nossa campanha tem uma forte preocupação com o meio ambiente”, assegurou Pardal Henriques.

Nas legislativas de 2015, o PDR foi a sétima força política mais votada, com 1,14% (61.632 votos) e não elegeu nenhum deputado.

Texto editado por Sónia Sapage