Campanha dividida entre o dr. primeiro-ministro e o sr. candidato

António Costa parece ter ouvido os analistas que diziam que tinha sido melhor primeiro-ministro do que candidato em 2015 e resolveu trazer o chefe de Governo para a campanha.

Foto
O candidato e o primeiro-ministro Francisco Romão Pereira

Desde o início da campanha eleitoral oficial, vários foram os cancelamentos, adiamentos, dias mais vazios. Já se sabia que a campanha seria diferente para António Costa, mas vários imprevistos, da dor nas costas do candidato ao furacão Lorenzo, têm acrescentado turbulência a uma agenda já de si mais pobre em contactos de rua. Esta terça-feira foi mais um dia em que tal voltou a acontecer, com António Costa a preterir uma arruada na Nazaré a uma ida às obras do IP3, onde o esperavam meia dúzia de trabalhadores com três máquinas e quatro camiões e dezenas de jornalistas.

“Acha que estando aqui me estou a esconder?”, questionou em resposta a perguntas dos jornalistas sobre se as alterações não poderiam ser encaradas como uma tentativa de fugir ao caso de Tancos, que não sai das notícias. “Tenho tido excelente recepção no país onde temos estado, como têm visto”, acrescentou. Sobre Tancos não quis falar, remetendo uma decisão para a conferência de líderes que se realiza nesta quarta-feira.

Houve um assunto a tomar conta, por completo, da agenda de António Costa, o primeiro-ministro que se sobrepõe ao candidato: a passagem do furacão Lorenzo pelos Açores. O que irá acontecer ainda não se sabe, mas Costa quer ter “a agenda livre” para, se houver “necessidade”, ir até ao arquipélago. Defendendo que a campanha não pode “prejudicar” as funções de primeiro-ministro, garantiu que está a “separar as situações”. “Mas não posso meter férias das minhas funções enquanto primeiro-ministro”, respondeu.

Depois de 2015, António Costa ouviu muitas vezes os comentadores dizerem que se tinha tornado melhor primeiro-ministro do que tinha sido candidato. Agora, o secretário-geral do PS decidiu trazer para a campanha o chefe do Governo, cancelando tudo para acompanhar uma “situação preocupante” nos Açores e puxando pela obra feita pelo executivo, neste caso, as obras do IP3, uma bandeira de campanha em dois distritos, Coimbra e Viseu.