Nomeação de Elisa Ferreira é “relevante” e reúne elogios à esquerda e à direita

A economista e ex-eurodeputada irá assumir a pasta da Coesão e Reformas na Comissão Europeia. A nomeação reuniu elogios, mas também pedidos e avisos por parte da esquerda e da direita portuguesa.

Elisa Ferreira
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Elisa Ferreira deverá assumir a pasta a 1 de Novembro JOSÉ SENA GOULÃO

A nomeação de Elisa Ferreira para comissária europeia para a Coesão e Reformas reuniu elogios da esquerda e da direita nacional. O anúncio foi feito esta terça-feira pela presidente eleita da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, mas em Portugal houve reacções “pouco impressionadas”.

Um dos primeiros a comentar a notícia foi, sem surpresas, o primeiro-ministro António Costa que escolheu Elisa Ferreira como candidata depois de von der Leyen ter tornado público o critério de formação de uma Comissão Europeia paritária, com o pedido a cada Estado para que apresentasse como candidatos aos cargos de comissário uma mulher e um homem. Esta terça-feira, António Costa sublinhou que a nomeação de Elisa Ferreira permitirá o trabalho em áreas estratégicas como a coesão territorial e “contribuirá para o objectivo essencial de aproximar a UE dos seus cidadãos”. 

Também o presidente do PSD, Rui Rio, defendeu que a pasta da Coesão e Reformas atribuída a Portugal na Comissão Europeia “objectivamente tem relevo”, mas prefere aguardar pela forma como a comissária Elisa Ferreira a vai exercer. “A pasta que coube à comissária de Portugal é uma pasta que objectivamente tem relevo, vai gerir fundos comunitários e os fundos são relevantes para todos os países, particularmente para Portugal”, defendeu.

Mas os elogios não são unânimes entre os sociais-democratas. Paulo Rangel manifestou “desencanto” com a pasta atribuída a Portugal na Comissão Europeia, considerando que “limita a margem de manobra” nos fundos estruturais, e mostrou-se também “decepcionado” por não haver uma vice-presidência. No seu Twitter, o eurodeputado social-democrata reconhece que “é uma pasta importante, na qual Elisa Ferreira estará como peixe na água”. No entanto, Rangel considera que o primeiro-ministro “criou expectativa e soube a pouco”.

Questionado se também está “desencantado”, Rio diz preferir aguardar pelo exercício do cargo por Elisa Ferreira. “Vai ter de ter muita habilidade para gerir uma pasta onde Portugal é notoriamente um país interessado”, alertou. 

Também Rui Tavares, ex-eurodeputado e mandatário do partido Livre, não escondeu que estava à espera de uma “pasta decisiva". “Elisa Ferreira — excelente eurodeputada que merecia uma pasta decisiva — aparece como 4ª a contar do fim no novo colégio de comissários”, assinalou. Para Rui Tavares, a responsabilidade é de António Costa que “foi branco com o PPE [Partido Popular Europeu] no dossier da nova Comissão Europeia e a paga é ter os aliados de Orbán à frente da comissária portuguesa”.

Uma pasta “relevante"

O adjectivo “relevante” foi o mais repetido entre as reacções. Além do líder do PSD, também a líder do CDS, Assunção Cristas, e o eurodeputado do PAN, Francisco Guerreiro, destacaram a importância da pasta atribuída. Se, para Assunção Cristas, “o importante é o que se faz com a pasta”, para Francisco Guerreiro o pelouro da futura comissária deverá ter o “pendão de emergência climática”. 

“Se for bem-sucedida, eu espero que também possa significar bom sucesso para Portugal e benefícios para o nosso país”, argumentou esta terça-feira Assunção Cristas, que aludiu ainda ao “excelente comissário que foi Carlos Moedas” que cessa funções como comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação. Já o PAN quer ver “até onde vai a sensibilidade climática” da futura comissária.

Nome da pasta é um “péssimo presságio"

O Bloco de Esquerda ficou pouco impressionado com o nome da pasta. No Twitter, numa publicação já partilhada por Marisa Matias, o eurodeputado José Gusmão declarou que “coesão e reformas estruturais na mesma pasta é um péssimo presságio”. Para o eurodeputado bloquista “o instrumento ‘convergência e competitividade’ visa usar a política de coesão para impor às instituições democráticas a agenda da Comissão”. 

Elisa Ferreira deverá assumir a pasta a 1 de Novembro, quando a nova Comissão Europeia entrar em funções. A futura comissária será a primeira mulher portuguesa a integrar o executivo comunitário desde a adesão de Portugal à comunidade europeia (1986). Sucederá a Carlos Moedas, que foi comissário indicado pelo anterior governo PSD/CDS-PP, e que teve a seu cargo a pasta da Investigação, Ciência e Inovação e foi nomeado em Novembro de 2014.