Fórum Internacional de Gaia arranca esta quarta-feira

O programa de 11 dias abrange conferências, espectáculos e outras intervenções culturais cuja finalidade é promover uma cidadania activa, assim como a própria Língua Portuguesa. Serão mais de 80 as acções que se vão realizar no FIGaia 2019.

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A Biblioteca Municipal de Gaia é um dos principais palcos desta iniciativa Goncalo Dias

O Fórum Internacional de Gaia – FIGaia 2019 tem início esta quarta-feira, 11 de Setembro, e traz à cidade uma programação de 11 dias dedicada ao ambiente e à Língua Portuguesa. Até 22 de Setembro, serão desenvolvidas 80 acções, desde conferências até debates e espectáculos, passando por outras intervenções culturais. Sendo o tema Colaboração em Português, o festival quer abordar questões sobre a língua e o desenvolvimento sustentável.

A conferência sobre o prémio Goldman, conhecido como o “Nobel do Ambiente”, vai abrir as portas desta terceira edição. A conferência “Goldman Prize – 30 anos a mudar o mundo”, agendada para esta quinta-feira, às 10h, na Biblioteca Municipal, reúne os seis galardoados do prémio, que representam os cinco continentes e que se distinguiram pelo desenvolvimento de projectos de luta e defesa do ambiente, assim como o director executivo do Prémio Goldman, Michael Sutton.

A 14 de Setembro, também às 10h, na Biblioteca Municipal, é tempo de assistir à conferência “E depois do conflito – A missão dos construtores de paz”, que pretende abordar a importância da construção de pontes para a paz.

No dia 15, os participantes no Ubuntu Fest chegam das delegações de vários países, com particular destaque para a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), apresentando-se um programa de actividades de interacção com os jovens gaienses, que decorrerá na escola secundária Almeida Garrett, entre as 10 e as 17 horas. O programa inclui workshops que se destinam a desenvolver actividades relacionadas com os líderes de referência do projecto, como Nelson Mandela, Martin Luther King ou Malala. A conferência sobre “Vidas Ubuntu” reúne histórias de vida dos participantes a partir das experiências de cada nacionalidade.

Na área da música, destaca-se a actuação de Tiganá Santana e Lura, artistas que interpretam sons brasileiros e africanos. Também a década de 1990 é contemplada na programação, com a actuação dos Três Tristes Tigres, que irão rever temas conhecidos como O Mundo a meus pés. Poemas do surrealista Mário Cesariny serão também evocados no campo musical.

Uma das novidades da iniciativa é o Baile Brega, que vai ter lugar na garagem do auditório municipal, o ponto de encontro entre as várias propostas artísticas.

Numa edição dedicada à Língua Portuguesa, o FIGaia aposta no espectáculo “Ode Marítima”, de Pedro Lamares, que nada mais é do que uma leitura integral do poema de Álvaro de Campos, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, a 12 de Setembro, pelas 21h30, no Auditório Municipal.

A publicação de Língua de Sal – Antologia Mínima de 100 Poemas em Língua Portuguesa é um dos enfoques do FIGaia 2019, que contará com vários eventos em diferentes palcos e espaços públicos da cidade, como o Auditório e a Biblioteca Municipal.

Com esta iniciativa, também as ruas de Gaia ganham vida através da realidade aumentada. Mupis, outdoors, cartazes, quiosques, postais, jornais e sinalética permitem o acesso a experiências em realidade aumentada que podem ser “consumidas” por aqueles que acederem à aplicação Gaia RA. Tendo como mote a palavra, a identidade gráfica criada para a edição do Fórum Internacional de Gaia anima visualmente quer a poesia, quer a palavra escrita, através da criação de uma app que permite ver, em tempo real, o conteúdo 3D interactivo.

Ana Carvalho, coordenadora do fórum, revelou que o objectivo do evento é “convocar uma cidadania activa”, pois “todos somos responsáveis” quando se trata de “salvar o planeta”. No que diz respeito à programação, a responsável disse haver um foco “na questão da colaboração em português, porque é a língua que nos une para podermos contribuir para um mundo melhor”. Já segundo a vereadora da Cultura da Câmara de Gaia, Paula Carvalhal, “a sustentabilidade é um tema do qual não nos podemos alhear”, daí a importância de “envolver a comunidade”.

Texto editado por Ana Fernandes