Cadilhe sobre Elisa Ferreira: “Dificilmente Portugal poderia estar mais bem representado na Comissão”

O ex-ministro das Finanças Miguel Cadilhe considera que Elisa Ferreira “está em condições de assumir diversas pastas”. Já o economista Alberto Castro lembra que alcançar a pasta da Economia e Finanças será dificil, mas admite ver Elisa a assumir os fundos estruturais ou a inovação.

Elisa Ferreira é, desde Setembro de 2017, vice-governadora do Banco de Portugal
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Elisa Ferreira é, desde Setembro de 2017, vice-governadora do Banco de Portugal Miguel Manso (arquivo)

A escolha da ex-ministra e actual vice-governadora Elisa Ferreira para comissária europeia não surpreendeu o ex-ministro das Finanças Miguel Cadilhe para quem "muito dificilmente Portugal poderá estar tão bem representado na Comissão Europeia”. 

“Ela tem uma experiência e uma passagem pela Europa longa e profunda e, além disso, é uma pessoa que, tendo capacidades várias, se dedica muito aos dossiers que lhe são entregues e sempre com sentido de responsabilidade e efectividade”, declarou ao PÚBLICO o ex-governante, que foi professor da actual vice-presidente do Banco de Portugal na Faculdade de Economia da Universidade do Porto. 

“Segui muito de perto a sua vida profissional e parece-me que Elisa Ferreira está em condições de assumir diversas pastas, nomeadamente a da Economia e Finanças”, acrescentou Cadilhe.

Dizendo-se igualmente “nada surpreendido”, o economista Alberto Castro sustenta ao PÚBLICO que “a grande vantagem de Elisa Ferreira relativamente a Pedro Marques [eurodeputado do PS] é o facto de ter uma carreira reconhecida no que respeita aos assuntos europeus”. De resto, acrescenta o também director da Faculdade de Economia da Universidade Católica, no Porto, “a ideia das quotas”, avançada pela nova presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que se propõe constituir uma comissão paritária em termos de género, “dava-lhe à partida uma pequena vantagem” relativamente a Pedro Marques.

“Mas a grande vantagem de Elisa Ferreira é o facto de ter uma carreira reconhecida no que respeita aos assuntos europeus”, ressalvou Alberto Castro, que, em 2009, integrou a comissão de honra da candidatura de Elisa Ferreira à Câmara do Porto, para acrescentar que a ex-ministra “construiu uma carreira centrada em questões europeias, desde o seu doutoramento, mas também enquanto esteve na comissão de coordenação e, mais tarde, com o seu notável trajecto no Parlamento Europeu”.

Quanto à pasta que a actual vice-presidente do Banco Portugal poderá assumir no colégio de 26 comissários, Alberto Castro considera que dificilmente a escolha recairá sobre a pasta da Economia e Finanças, “dado o handicap que resulta de Portugal já ter a presidência do Eurogrupo”. E, apesar de reconhecer que a escolha resultará de “equilíbrios difíceis de compaginar”, num xadrez que “só Ursula von der Leyen perceberá completamente”, Alberto Castro considera que a ex-ministra do Ambiente reúne o perfil para assumir com competência a pasta que se julgou estar destinada a Pedro Marques, a dos fundos estruturais, bem como a pasta da Investigação, Ciências e Inovação, detida por Carlos Moedas.