Líbano promete responder a “declaração de guerra” de Israel

Governo libanês diz que ataques com drones são uma “ameaça à estabilidade regional” e violam a resolução da ONU que pôs fim à guerra de 2006. Líder do movimento Hezbollah promete atacar soldados israelitas na fronteira.

Os drones despenharam-se e explodiram nos subúrbios de Beirute
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Os drones despenharam-se e explodiram nos subúrbios de Beirute LUSA/NABIL MOUNZER
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Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah Reuters/AZIZ TAHER
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Danos provocados pela explosão de um drone Reuters/MOHAMED AZAKIR
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Danos provocados pela explosão de um drone Reuters/MOHAMED AZAKIR
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Danos provocados pela explosão de um drone LUSA/NABIL MOUNZER

Um duplo ataque das forças de Israel contra alvos no vizinho Líbano, entre domingo e segunda-feira, agravou o clima de tensão entre os dois países e trouxe à memória a guerra do Verão de 2006, quando mais de mil libaneses e mais de 100 israelitas morreram em apenas um mês. Em reacção aos dois ataques, o Hezbollah prometeu atacar os soldados israelitas na fronteira, e o Presidente Michel Aoun comparou a mais recente operação de Israel a uma “declaração de guerra”.

Nenhum dos ataques provocou vítimas, mas os alvos e o sentido de oportunidade das forças israelitas enfureceram a liderança do movimento islamista Hezbollah, que viu a sua capacidade de defesa posta à prova.

Na madrugada de domingo, pelo menos dois drones despenharam-se nos arredores da capital do Líbano, Beirute, um deles contra o edifício onde estão instalados os serviços de comunicação do movimento islamista libanês. O outro terá caído na mesma zona, num descampado, depois de ter sido apedrejado por habitantes locais, segundo o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah.

“O que aconteceu foi um ataque com drones suicidas contra um alvo específico nos subúrbios de Beirute. É assim que devemos encarar isto”, disse Nasrallah no domingo.

Os ataques israelitas contra combatentes do Hezbollah e contra forças iranianas têm sido constantes desde o início da guerra na Síria, em 2011. O apoio do Irão e do Hezbollah ao Presidente sírio, Bashar al-Assad, criou dois problemas a Israel: por um lado, significa o reforço da influência iraniana na região; por outro lado, pode facilitar a chegada de material militar iraniano, mais sofisticado, aos combatentes do movimento islamista libanês.

"Provocação ao Hezbollah"

Horas depois das explosões de dois drones perto de Beirute, já na madrugada desta segunda-feira, um segundo ataque com o mesmo tipo de aparelhos atingiu uma zona a Este da capital, a poucos quilómetros da fronteira entre o Líbano e a Síria. O alvo foi a base de um grupo palestiniano que também luta ao lado de Bashar al-Assad e que conta com o apoio do Hezbollah e do Irão.

E o facto de este segundo ataque ter surgido depois de o líder do Hezbollah ter prometido abater qualquer drone israelita que entrasse em território libanês não passou despercebido a ninguém.

“Esta agressão é uma continuação do que aconteceu em Beirute, e é também uma provocação directa às declarações de Nasrallah”, disse à televisão libanesa al-Mayadeen o histórico líder da Frente Popular para a Libertação da Palestina – Comando Geral, Khaled Jibril.

A reacção do Presidente libanês, Michel Aoun – um aliado do Hezbollah –, foi mais dura do que o habitual. Numa declaração partilhada na rede social Twitter, Aoun disse que os ataques israelitas “são semelhantes a uma declaração de guerra” e que isso permite ao Líbano reclamar “o direito a defender a sua soberania”.

“Somos um povo que procura a paz e não a guerra, e não aceitamos que ninguém nos ameace em nenhuma guerra”, disse ainda o Presidente libanês.

E o primeiro-ministro, Saad Hariri – um opositor do Hezbollah –, disse que os mais recentes ataques israelitas são “uma ameaça à estabilidade regional”.

No domingo, o Exército israelita divulgou um vídeo do que diz ser o transporte de um “drone assassino” por combatentes iranianos na Síria. Segundo um porta-voz das Forças de Defesa de Israel, os ataques de domingo e segunda-feira travaram um plano da força iraniana Al-Quds para lançar drones com explosivos contra alvos no Norte de Israel.

Esta segunda-feira, o Presidente libanês afirmou que os ataques israelitas das últimas horas violam a Resolução 1701 do Conselho de Segurança, que selou o fim da guerra entre o Hezbollah e Israel, em Julho de 2006.

Ao longo dos anos, ambos os lados têm-se acusado mutuamente de violar o acordo e têm desmentido as acusações de que são eles os responsáveis por essas violações. Foi isso que voltou a acontecer em Dezembro de 2018, numa reunião do Conselho de Segurança da ONU em que o responsável da organização pelas operações de paz, Jean-Pierre Lacroix, confirmou a existência de túneis construídos pelo Hezbollah na zona criada em 2000 para separar o Líbano de Israel.