Prémio Paulo Cunha e Silva: uma short list marcada pela diversidade geográfica

Os seis finalistas do prémio criado pela Câmara do Porto incluem quatro artistas de diferentes regiões do continente asiático, uma norte-americana e uma sul-africana.

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Paulo Cunha e Silva DR

A Câmara do Porto divulgou esta quinta-feira ao final do dia os nomes dos seis finalistas do Prémio Paulo Cunha e Silva, destinado a artistas internacionais emergentes com menos de 40 anos. Numa escolha marcada pela diversidade geográfica, quatro criadores vêm de diferentes regiões do continente asiático – Song Ta, da China, Firenze Lai, de Hong Kong, Basir Mahmood, do Paquistão e Shaikha Al Mazrou, dos Emiratos Árabes Unidos –, com a norte-americana Steffani Jemison e a sul-africana Lebohang Kganye a completarem a lista.

Uma pluralidade que abrange também as práticas artísticas dos criadores seleccionados e que parece ter sido deliberadamente procurada pelo júri, em cuja declaração se lê: “Esta lista abarca a extensão do que é hoje possível e relevante: da revitalização da pintura às novas técnicas de media, que permitem uma profunda e visceral ligação através da mediação tecnológica; do alargamento das tradições da escultura formalista a intrincadas narrativas pessoais que contêm multidões.”

Tal como aconteceu na edição de estreia deste prémio bienal, criado em homenagem ao ex-vereador da Cultura Paulo Cunha e Silva (1962-2015), os trabalhos dos seis finalistas irão agora integrar uma exposição colectiva, com inauguração prevista para 9 de Junho do próximo ano na Galeria Municipal do Porto. Será no decorrer desta exposição que o júri voltará a reunir para escolher o vencedor desta segunda edição do prémio, que tem uma dotação monetária de 25 mil euros. 

A artista, bailarina e programadora dominicana Isabel Lewis, o realizador e escritor ganês John Akomfrah, a investigadora e curadora portuguesa Margarida Mendes e o pensador e crítico cultural Shumon Basar, do Bangladesh, são os quatro membros do júri, mas o singular sistema de escolha dos candidatos a este prémio envolve um conjunto bastante mais amplo de curadores.

Cada um dos quatro jurados propõe quatro curadores, e cada um destes escolhe três artistas, que terão de ter menos de 40 anos e não poderão ter apresentado mais do que uma exposição individual em espaços de arte internacionalmente reconhecidos. Uma restrição que pretende vedar este prémio a artistas que gozam já de uma significativa consagração internacional, princípio aliás igualmente expresso na declaração do júri, que assume ter cingido a sua escolha dos finalistas a criadores que estejam num ponto da sua trajectória artística no qual este prémio possa ainda proporcionar-lhes uma nova visibilidade, e não apenas confirmar uma excelência já reconhecida.

Este sistema de eleição resulta também num número fixo de 48 candidatos, e a circunstância de envolver, na soma das suas várias etapas, um alargado conjunto de 20 “escolhedores” tende a assegurar um elenco diversificado, quer em termos de práticas artísticas, quer nos planos do género, da proveniência geográfica ou dos contextos culturais. A lista dos seis finalistas desta edição confirma-o bem.

Nascido em 1985, o paquistanês Basir Mahmood, proposto pelo curador italiano Daniel Blanga Gubbay, trabalha sobretudo com vídeo, filme e fotografia, dizem os materiais enviados pela organização do prémio, e entrecruza várias linhas de pensamento em sequências poéticas e diferentes formas de narrativa. Já o chinês Song Ta, nascido em 1988, foi proposto por uma dupla de curadores radicada em Cantão – Zhang Wei e Hu Fang –, e os seus trabalhos, baseados na observação da realidade social e da vida quotidiana, recorrem à fotografia, vídeo, instalação, pintura e performance.

Os restantes quatro finalistas são mulheres. Firenze Lai, também proposta por Zhang Wei e Hu Fang, nasceu em 1984, em Hong Kong, e pratica uma pintura figurativa que abre possibilidades de abstracção. Steffani Jameson nasceu em Berkeley, nos Estados Unidos, em 1981, e a sua obra aborda a história dos negros, usando vários meios para explorar ideias de improvisação e repetição. Foi proposta pela curadora Claire Tancons, de Guadalupe.

Shaikha Al Mazrou, dos Emiratos Árabes Unidos, nasceu em 1988 e interessa-se pela materialidade da arte, trabalhando com materiais produzidos industrialmente para desenvolver experiências com cores e formas em arranjos geométricos abstractos. Ficou a dever a sua candidatura ao curador canadiano Cliff Lauson. Por fim, a sul-africana Lebohang Kganye, a mais nova dos seis finalistas, nasceu em 1990 e foi proposta pela curadora Elvira Dyangani Ose, nascida em Espanha de pais oriundos da Guiné Equatorial e actual directora da galeria The Showroom, em Londres. Centrado na fotografia, o trabalho de Kganye também incorpora a escultura, a performance ou a instalação, e recorre a arquivos para explorar as possibilidades de uma história fictícia onde personagens reais e ilusórias se combinam num novo universo.