A dor de alma do Presidente Macri perante a derrota nas primárias

Alberto Fernández conseguiu mais 16% de votos do que o chefe de Estado. Na grande sondagem das urnas, Macri perdeu em toda a linha.

O rosto da derrota de Mauricio Macri
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O rosto da derrota de Mauricio Macri LUSA/JUAN IGNACIO RONCORONI
Alberto Fernàndez comemora a vitória
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Alberto Fernández comemora a vitória LUSA/ENRIQUE GARCIA MEDINA

Se quase todas as sondagens davam a vitória a Alberto Fernández nas eleições primárias abertas deste domingo na Argentina, nenhuma dava uma diferença tão grande como a que veio a verificar-se. O Presidente, Mauricio Macri, perdeu com estrondo o primeiro round do combate com a sua antecessora, Cristina Fernández de Kirchner, candidata à vice-presidência pela Frente de Todos, com uma diferença de 16%.

As eleições presidenciais realizam-se apenas a 27 de Outubro, mas estas eleições primárias abertas para escolher os candidatos de cada partido e definir aqueles com popularidade suficiente para ir realmente às urnas (pelo menos 1,5% dos votos) era visto como o primeiro grande teste e Macri chumbou no exame: conseguiu 33,12% contra 49,19%.

“Faz-me doer a alma que tantos argentinos acreditem que é preciso regressar ao passado”, disse o chefe de Estado perante a dimensão da derrota. “Os argentinos começam a escrever outra história”, sublinhou, por seu lado, Alberto Fernández. “Gostaria que o Presidente tomasse nota do que se passou ontem [domingo]” e que “comece a mudar já, porque nós, argentinos, não precisamos de mais três meses disto”, referiu Fernández.

“Tivemos uma má eleição e isso obriga-nos, a partir de amanhã [segunda-feira] a redobrar os esforços para que em Outubro consigamos o apoio para continuar a mudança”, reconheceu Mauricio Macri que durante a campanha referira que estas são as eleições mais importantes dos últimos 30 anos para a Argentina.

Os mercados não gostaram dos resultados e do possível regresso do peronismo de esquerda ao poder, assistindo-se a um dia de quedas, com o índice da bolsa de Buenos Aires a perder mais de 30% em relação a sexta-feira e o peso argentino a desvalorizar 32% face ao dólar. 

Fernández é visto como um candidato moderado, mas os analistas liberais temem que a força por trás da Frente de Todos seja mesmo a ex-Presidente Cristina Kirchner, o que poderia levar a uma política populista de esquerda.

Nada ficou decidido nestas eleições, a não ser o número de candidaturas presidenciais que estarão nos boletins de voto a 27 de Outubro. Das dez que se apresentaram aos eleitores, seis conseguiram superar o limiar de 1,5% para ser considerada válida.

Roberto Lavagna, ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, candidato do centro, ficou em terceiro lugar, com 8,35%. No quarto lugar ficou o líder do Partido dos Trabalhadores Socialistas, Nicolás Del Caño, com 2,89%.; seguido de Juan José Gómez Centurión, veterano da guerra das Malvinas, com 2,63% ; e do economista liberal José Luis Espert, com 2,22%.