Crítica

E agora, sem guitarras

Ty Segall pôs a guitarra eléctrica de lado e, rodeado de sintetizadores, saxofones, flautas e bouzouki encontrou um novo cenário para a sua música. First Taste é felicíssima exploração, é um vulcão em erupção.

Uma das luminárias rock´n´roll dos nossos tempos encontra fonte para reinvenção na subtracção brutal das guitarras eléctricas, símbolo por excelência do rock
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Uma das luminárias rock´n´roll dos nossos tempos encontra fonte para reinvenção na subtracção brutal das guitarras eléctricas, símbolo por excelência do rock Denee Segall

Duas baterias em uníssono, alimentando-se do poder que criam em conjunto. Uma massa de ruído que invade o espaço sonoro, qual rolo compressor de sintetizadores que não deixará nada incólume à sua passagem. Uma voz a exprimir-se naquele agudo urgente que Ozzy Osbourne ofereceu ao mundo para dele fazer o que quisesse e as percussões que se juntam à trepidação das baterias, força telúrica a tornar-se uma só com a linguagem dos sintetizadores que não soam a sintetizador, mas a onda sonora alienígena, incontrolável. Isto é rock’n’roll em electrocussão, sem guitarras à vista, é Taste, a primeira canção de First Taste, o novo álbum de Ty Segall. Uma das luminárias rock’n’roll dos nossos tempos a encontrar fonte para reinvenção numa subtracção brutal – a das guitarras eléctricas, símbolo por excelência do rock.