Joana Coimbra idealizou uma plataforma que permita pegar em cadeiras de rodas sem uso, recuperá-las e colocá-las em vários espaços centrais de Aveiro.
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Joana Coimbra idealizou uma plataforma que permita pegar em cadeiras de rodas sem uso, recuperá-las e colocá-las em vários espaços centrais de Aveiro. Adriano Miranda

Joana idealizou um sistema de partilha de cadeiras de rodas para Aveiro

Jovem estudante da Universidade de Aveiro quer criar uma plataforma que permita pegar em cadeiras de rodas sem uso, recuperá-las e colocá-las em vários espaços centrais da cidade onde vive. Mas o Reinventar a Roda pode ser replicado noutras cidades.

Foi numa das visitas dos pais à cidade que tinha escolhido para estudar, Aveiro, que Joana Coimbra despertou para uma nova realidade. “Um percurso que para mim é fácil de fazer, de cerca de um quilómetro, para a minha mãe foi muito cansativo”, introduz a estudante do mestrado em Planeamento Regional e Urbano, da Universidade de Aveiro (UA). A mãe de Joana sofre de artrite reumatóide e, naquele dia, a jovem de 23 anos teve consciência do quão limitadas algumas pessoas podem estar até nos percursos aparentemente simples. “Pensei: se eu tivesse aqui uma cadeira de rodas para a poder levar seria tão bom”, acrescenta Joana Coimbra, a propósito do dia em que teve a ideia que viria a transformar-se no seu projecto final de mestrado. Reinventar a Roda foi o nome que escolheu para a proposta de criar um sistema de reutilização e partilha de cadeiras de rodas em Aveiro.

Na prática, o que Joana Coimbra propõe é a construção de uma plataforma que permita pegar em cadeiras de rodas sem uso, recuperá-las e colocá-las em vários espaços centrais da cidade — posto de turismo, estação de comboios e museus, entre outros —, para que possam ser usadas por quem precisa. Um pouco como acontece com o sistema de bicicletas partilhadas, mas que consegue ir além do mero empréstimo de cadeiras de rodas. “A plataforma, através da criação de um site, permitirá, também, divulgar transportes, itinerários e serviços acessíveis”, destaca a jovem, vincando ainda o facto de este sistema dar “uso a cadeiras de rodas antigas”.

“Há pessoas que, por vezes, nem sabem o que fazer a uma cadeira de rodas que foi de alguém da família. Assim, podiam fazer uma doação e ajudar outras pessoas”, argumenta. Sendo certo que o grupo de potenciais utilizadores da plataforma não se limita ao “utilizador permanente da cadeira de rodas”. “Há pessoas com necessidades temporárias e não nos podemos esquecer que temos cada vez mais idosos e as probabilidades de surgirem limitações de mobilidade aumentam”, sustenta Joana Coimbra.

Por esse país fora vão já surgindo alguns bons exemplos de disponibilização de cadeiras de rodas, nota a jovem, recordando o caso do Centro Comercial Glicínias, em Aveiro, ou do Palácio da Pena, em Sintra. “Os cidadãos com problemas de mobilidade têm todo o direito de visitar cidades, museus, e uma cadeira de rodas pode fazer toda a diferença”, defende, com afinco. Com a certeza de que a ideia da plataforma Reinventar a Roda podia (e pode) ser implementada noutras cidades. “Este projecto está desenhado para Aveiro, mas pode ser adoptado por outros municípios”, declara.

O sonho de ver o projecto ser concretizado

O que é preciso para tornar a plataforma idealizada por Joana Coimbra realidade? “Um apoio público ou um ou mais patrocinadores”, revela. O orçamento ainda não está concluído, mas os custos do projecto não deverão ser muito elevados. “Será a criação do site, os arranjos e a reparação das cadeiras de rodas doadas, o transporte para levar as cadeiras de rodas para os locais de entrega e recolha, e comunicação do projecto”, contabiliza.

Ainda que a missão de entregar e defender o projecto de mestrado já esteja concluída — o trabalho, orientado pelos docentes Bernardete Bittencourt e Paulo Silva, valeu-lhe 17 valores —, o mais importante para Joana Coimbra é ver a sua ideia passar à prática. “O que eu quero fazer na vida é criar o máximo de soluções para as pessoas que têm alguma incapacidade”, testemunha, reconhecendo que é a sua mãe que a continua a inspirar.

Actualmente a trabalhar dos Serviços de Gestão Académica da UA, a jovem que tem origens e família no Entroncamento confessa que gostava de um dia ter “oportunidade de trabalhar na área do planeamento, oferecendo melhores condições para a cidade”. Por ora, garante estar “feliz e realizada” com o trabalho na universidade, que lhe vai deixando tempo para, também, se dedicar aos amigos e à Miss Pringles, a coelha que vive com ela em Aveiro e deve o nome à famosa marca de batatas fritas. “Era um vício”, confessa a jovem.