Universidade do Porto quer alunos a ter uma alimentação e hábitos mais saudáveis

Os principais objectivos da Universidade do Porto (U. Porto) são “aumentar o consumo da água e de hortofrutícolas e reduzir o consumo de açúcar e sal”. O plano intitulado “Universidade Promotora de Saúde”, associado a uma campanha de promoção da alimentação saudável, será implementado em Setembro deste ano.

Foto
O plano intitulado “Universidade Promotora de Saúde” será implementado em Setembro evr Enric Vives-Rubio

A Universidade do Porto pretende que a saúde e o bem-estar da comunidade académica sejam prioridades estratégicas, estando a desenvolver, para tal, um plano de acção que afirme a instituição como uma “Universidade Promotora de Saúde”. “Com um horizonte temporal de dois anos, em que irão sendo feitas avaliações intercalares”, este plano começa em Setembro, no início do ano lectivo. Quem é o diz é José Castro Lopes, pró-reitor da Universidade do Porto, que revelou ao PÚBLICO que este conceito, assumido por várias instituições de ensino superior de todo o mundo como um dos pilares centrais da responsabilidade social, foi introduzido “pela Organização Mundial da Saúde no âmbito das políticas de Saúde Pública”.

“No caso do Ensino Superior, o que se pretende é que as universidades sejam promotoras da saúde”, explicou o pró-reitor, acrescentando que “a Universidade do Porto desenvolveu um plano integrado para a promoção da saúde e bem-estar na universidade”. O plano tem sete áreas de intervenção, uma das quais é a promoção da alimentação saudável. Dentro dessa área, foi criado um grupo sectorial que visa “melhorar os hábitos alimentares de toda a comunidade académica da Universidade do Porto”.

Para além disso, segundo José Castro Lopes, existem dois eixos de intervenção cujo intuito é “modificar a oferta alimentar que existe na Universidade do Porto – melhorando a qualidade alimentar – e promover a literacia alimentar, realizando acções de formação para estudantes e funcionários”. Em simultâneo, promove-se o consumo de snacks e lanches saudáveis, a redução do consumo de açúcar, o aumento do consumo de água e a realização de workshops sobre o assunto.

Entre as acções que serão levadas a cabo, José Castro Lopes destacou “o levantamento da oferta alimentar da Universidade do Porto e o contacto com os fornecedores das máquinas automáticas”. Acreditando na adesão académica a este plano, o pró-reitor crê que “os jovens estão conscientes da alimentação para uma vida saudável”. “Nós sabemos, hoje em dia, que a obesidade é um problema que está a afectar cada vez mais a nossa população e, mais propriamente, a população jovem. E eu penso que os jovens já estão alerta para este tipo de problemas”, argumentou.

Para além da alimentação saudável, as intervenções irão incidir sobre a promoção da actividade física, da saúde mental, da saúde sexual ou da saúde oral, mas também em acções de prevenção do tabagismo, do consumo de álcool e de outras substâncias psicotrópicas.

Um estudo elaborado pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP) para a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO também revelou que a oferta nas máquinas de venda automática das instituições de Ensino Superior do país falha na disponibilização de alimentos saudáveis, estando estas maioritariamente preenchidas por alimentos e bebidas com altos teores de açúcar e sal.

Texto editado por Ana Fernandes