Há dez bombas escondidas há 76 anos em Pompeia e algumas podem estar ainda activas

Investigadores acreditam que há pelo menos dez dispositivos explosivos no subsolo, vestígios de um mês de ataques aéreos das forças aliadas a este importante sítio arqueológico durante a Segunda Guerra Mundial. Não se sabe quantas precisarão de ser desactivadas.

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CESARE ABBATE

Arqueólogos acreditam que existem bombas por explodir nas ruínas de Pompeia, restos de uma série de ataque aéreos das forças aliadas que, segundo o diário espanhol ABC, decorreram entre 24 de Agosto e 20 de Setembro de 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. Ao todo terão sido largadas 165 bombas sobre a antiga cidade romana e, segundo uma investigação do jornal italiano Il Fatto Quotidiano agora publicada, pelo menos dez estão ainda no subsolo.

“Noventa e seis bombas foram encontradas e desarmadas”, pode ler-se no artigo do jornal italiano. “As outras estão numa área que ainda não foi escavada. Destas, muitas foram já desactivadas ou explodiram à época, mas pelo menos dez ainda lá se encontram.” Esta informação surgia nas páginas do Il Fatto acompanhada por documentos exclusivos do Arquivo Fotográfico Aéreo do Reino Unido, por um mapa que assinalava os locais dos bombardeamentos e por entrevistas com arqueólogos e outros especialistas.​

Os ataques aéreos a Pompeia antecederam, ainda de acordo com o espanhol ABC, o desembarque das tropas aliadas em Salerno, cidade que fica a pouco mais de 25 quilómetros. Segundo o arqueólogo e historiador espanhol Laurentino García y García, autor do livro Daños de Guerra en Pompeya, os voos da Royal Air Force (RAF), a temida Força Aérea britânica, aconteciam de noite, com aviões que descolavam de bases na Tunísia, destruindo frescos, muros e milhares de objectos que tinham sido postos a descoberto ao longo de 200 anos de trabalhos.

Pompeia foi uma cidade do Império Romano no sul de Itália, a 22 quilómetros de Nápoles, que, no ano 79, ficou totalmente destruída depois de uma erupção do Vesúvio. As cinzas e lamas expelidas pelo vulcão em actividade preservaram as construções, objectos e até os corpos dos habitantes, que chegaram até nós nas exactas posições em que se encontravam quando foram surpreendidos pela erupção, dando origem a trágicas esculturas. As suas ruínas, descobertas em 1748, têm oferecido a investigadores uma oportunidade única para compreender os hábitos e comportamentos da população de uma cidade romana do século I.

O complexo arqueológico tem um total de 67 hectares, dos quais 44 foram já escavados. É na área por explorar que estarão os dez dispositivos explosivos. As bombas dos ataques aliados foram encontradas pela primeira vez em 1986 pelo arqueólogo Antonio De Simone, no decorrer de escavações. “Estávamos com as nossas ferramentas a levantar pedaços de terra lentamente e, de repente, encontrámos bombas por baixo dos nossos pés”, disse De Simone. “Estavam lá duas. Uma já tinha explodido e estava reduzida a fragmentos, a outra, infelizmente, não. Estava perfeitamente intacta.”

Apesar da natural preocupação causada pela existência de bombas eventualmente por explodir nestas ruínas romanas que nos últimos anos têm sido objecto de um ambicioso programa de investigação e requalificação, a equipa do Museu Arqueológico de Pompeia assegurou ao jornal italiano que não há “perigo para os visitantes”, acrescentado que o projecto que visa o desmantelamento das restantes bombas está a ser levado a cabo por militares. Pompeia é uma das maiores atracções turísticas de Itália, recebendo perto de 2,5 milhões de visitantes por ano.