Rahul Gandhi afasta-se do Partido do Congresso e recusa nomear sucessor

Filho de Ravij e Sonia Gandhi, e neto de Indira Gandhi, Rahul assumiu a responsabilidade pela pesada derrota nas últimas eleições gerais e disse que o próximo líder deve ser de fora da histórica família.

Rahul Gandhi
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Rahul Gandhi Reuters/Anushree Fadnavis

Rahul Gandhi anunciou esta quarta-feira a sua demissão da liderança do Partido do Congresso, na sequência da derrota nas últimas eleições gerais na Índia. Apesar dos apelos internos para que se mantivesse à frente da oposição ao partido nacionalista do primeiro-ministro Narendra Modi, Gandhi decidiu sair e rejeitou fazer parte do processo de escolha do seu sucessor.

“Como presidente do Partido do Congresso, sou responsável pela derrota nas eleições de 2019”, disse Rahul Gandhi num comunicado que partilhou no Twitter. “Seria injusto responsabilizar outros e ignorar a minha própria responsabilidade”, afirmou.

A procura por um novo líder do partido será tarefa de um grupo constituído para esse efeito, por sugestão de Gandhi, que se pôs à margem do processo: “Muitos dos meus colegas sugeriram que fosse eu a nomear o próximo presidente do Partido do Congresso. Como é importante que o partido seja liderado por uma nova pessoa, não seria correcto ser eu a nomeá-la.”

Encurralado entre um líder de saída e dirigentes que se negavam a aceitar a sua demissão, o Partido do Congresso estava, na prática, sem liderança, mais de um mês depois do resultado das eleições.

Os mais próximos de Rahul Gandhi, de 49 anos, foram sempre dizendo que ele estava decidido a pôr fim ao seu ano e meio de liderança, que ocupou após a saída da mãe, Sonia Gandhi, em Dezembro de 2017.

“Ele acha que não faz parte do futuro do Partido do Congresso, e que a liderança deve ser ocupada por alguém de fora da família Gandhi”, disse um conselheiro de Rahul Gandhi citado pela Reuters sob anonimato.

A família Neru-Gandhi domina o partido há décadas, tendo eleito três primeiros-ministros: Jawaharlal Nehru (de 1947 até à sua morte, em 1964); Indira Gandhi (de 1980 até ao seu assassínio, em 1984); e Rajiv Gandhi (de 1984 a 1989). Esse protagonismo levou o Bharatiya Janata, do primeiro-ministro Narendra Modi, a acusar o Partido do Congresso de promover “dinastias políticas”.

Nas eleições gerais, que decorreram entre Abril e Maio, o partido de Modi voltou a derrotar o Partido do Congresso por uma larga margem, tal como aconteceu em 2014, conquistando 303 dos 542 lugares no Parlamento.