João Félix, 126 milhões de “puro talento”

É a maior transferência de sempre de um jogador português, batendo Cristiano Ronaldo, e a quarta maior do futebol mundial. Benfica já vai em 380 milhões embolsados com jovens da formação.

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O 7 que foi de Griezmann pertence agora a João Félix Facebook Atlético Madrid

Era o segredo mais mal guardado do futebol português, ao ponto de já não ser segredo nenhum. Depois de várias semanas ser dado como certo, o negócio foi finalmente oficial nesta quarta-feira: João Félix sai do Benfica para o Atlético de Madrid por 126 milhões de euros, um valor recorde no que diz respeito a jogadores portugueses e a jogadores do campeonato português, e que faz dele o quarto futebolista mais caro de sempre. “Puro talento”, foi como os “colchoneros” oficializaram a contratação do jovem avançado de 19 anos, num vídeo publicado nas redes sociais em que Félix aparece no Museu do Prado.

Dos 126 milhões que o Benfica refere no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), 30 milhões são pagos a pronto pelo Atlético, sendo que os restantes 96 milhões vêm de uma “operação de desconto sem recurso” — basicamente, isto significa que o Benfica acordou com uma instituição financeira, com um custo de seis milhões pela operação, um encaixe imediato de 90 milhões, que, por sua vez, serão cobrados pela instituição bancária ao Atlético. Depois, o Benfica ficará ainda responsável pelo pagamento dos “serviços de intermediação relativos a esta transferência” e que os “encarnados” dizem ser de 12 milhões. Ou seja, dos 126 milhões anunciados, o Benfica receberá, na prática, 108 milhões. Já o Atlético terá de pagar os valores respeitantes ao Mecanismo de Solidariedade da FIFA aos clubes por onde Félix passou – o FC Porto, onde o jogador esteve entre 2009 e 2014, deverá receber cerca de 1,2 milhões de euros.

Este é um negócio que estabelece vários recordes no futebol português. Não só é a maior transferência de sempre envolvendo um jogador do campeonato português, mais do dobro do que o Real Madrid pagou já em 2019, ao FC Porto, por Éder Militão (50 milhões), como é a maior transferência de sempre envolvendo um jogador português, ultrapassando os 117 milhões que a Juventus pagou ao Real Madrid no Verão passado por Cristiano Ronaldo. Para o Benfica, também é um novo recorde, triplicando os 40 milhões que recebeu por Éderson (Manchester City) e Axel Witsel (Zenit), além de elevar aos 380 os milhões que os “encarnados” encaixaram com jogadores da sua formação.

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Com este valor pago pelo Atlético (a maior transferência da sua história), João Félix já é o quarto futebolista mais caro de sempre, apenas atrás de Neymar (222 milhões, do Barcelona para o Mónaco), Kylian Mbappé (180 milhões, do Mónaco para o PSG) e Phillipe Coutinho (145 milhões).

Também o Atlético ultrapassa largamente o seu recorde, que era de 70 milhões pagos ao Mónaco, no Verão passado, por Thomas Lemar. E, para fazer justiça ao altíssimo valor, o contrato de Félix também é longo (por sete temporadas) e a cláusula de rescisão é na mesma ordem de grandeza (350 milhões). É já um recorde neste defeso que tem sido absolutamente alucinante em termos de transferências e que promete não ficar por aqui. Já se realizaram 45 transferências no futebol mundial de 20 milhões para cima.

No Wanda Metropolitano, João Félix vai ter a camisola 7 dos “colchoneros”, um indício de que estará para breve a saída do internacional francês Antoine Griezmann para o Barcelona (que também irá acontecer por valores de grandeza semelhante). Aos 19 anos, Félix é mais um português (o 17.º) a tentar a sua sorte no Atlético — alguns tiveram sucesso (Futre, Simão ou Tiago), outros nem por isso (João Vieira Pinto, Hugo Leal ou Gelson Martins) — sabendo-se que Diego Simeone é um treinador muito exigente e que a Liga espanhola será um desafio competitivo superior à Liga portuguesa, isto já para não falar da Liga dos Campeões, onde o Atlético também irá marcar presença.

Os colegas Herrera e Felipe

É uma ascensão fulgurante para um miúdo que, no Verão passado, estava a lutar por um lugar na equipa principal do Benfica. Foi Rui Vitória que lhe foi dando os primeiros minutos na primeira equipa dos “encarnados”, que tiveram como ponto alto um golo ao Sporting no “clássico” da primeira volta.

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Mas foi com Bruno Lage que Félix “explodiu”, contribuindo de forma decisiva para a conquista do título de campeão — marcou um total de 20 golos em 43 jogos em todas as competições. Foi um rendimento que lhe abriu ainda as portas da selecção portuguesa, tendo sido um dos convocados por Fernando Santos para a final a quatro da Liga das Nações — tem uma internacionalização, cumprida frente à Suíça, nas meias-finais.

No mesmo dia em que foi oficializada a saída de Félix, o Benfica anunciou um reforço de peso (e caro) para o ataque, Raúl de Tomás, jogador da formação do Real Madrid que esteve emprestado ao Rayo Vallecano nas últimas duas temporadas, e que chega à Luz por 20 milhões. É mais um reforço para o ataque à disposição de Bruno Lage (que também irá perder Jonas), depois de Caio Lucas, Jhonder Cádiz e Chiquinho.

Sem direito a vídeo no Museu do Prado, Hector Herrera e Felipe, ambos ex-jogadores do FC Porto, também foram oficializados como reforços do Atlético de Madrid. O médio mexicano chegou ao Wanda Metropolitano a custo zero e vai assinar um contrato válido para as próximas três temporadas; o central brasileiro também irá assinar um contrato válido por três épocas, depois de ter custado ao Atlético 20 milhões de euros. Para além dos dois jogadores recrutados no FC Porto e de Félix, o Atlético já contratou o médio Marcos Llorente ao Real Madrid por 30 milhões. Em sentido inverso, os “colchoneros” já fizeram muitos milhões com as vendas de Lucas Hernández (80 milhões, Bayern), Rodrigo (70 milhões, Manchester City), Gelson Martins (30 milhões, Mónaco) e Luciano Vietto (7,5 milhões, Sporting).