Maia recicla mais de cem toneladas de têxteis em meio ano

Foram instalados no concelho ‘Roupões’ e contentores identificados para a deposição selectiva destes resíduos.

Foto
Em Portugal, em 2017, havia 200 mil toneladas de têxteis no lixo indiferenciado asm ADRIANO MIRANDA / PUBLICO

No primeiro semestre deste ano, a população da Maia contribuiu para a recolha de mais de cem toneladas de resíduos têxteis, nomeadamente roupa e calçado. Registou-se um aumento de 12,5% em relação ao mesmo período do ano passado, o que, segundo a empresa pública municipal Maiambiente, “demonstra o envolvimento cada vez mais activo da população na construção de um concelho mais sustentável”.

A Maiambiente, juntamente com a Wippytex, instalou no concelho da Maia 48 ‘Roupões’ e contentores azuis claros identificados para a deposição selectiva destes resíduos. “Com uma nova imagem, esta identificação pretende ser socialmente mais integradora, possibilitando um reconhecimento mais imediato dos resíduos a depositar”, explica a empresa Maiambiente.

Após a utilização máxima destes materiais, estes devem ser depositados, de forma selectiva, em contentores, para serem conduzidos para a reciclagem. Se a roupa ou o calçado estiverem em bom estado, poderão ser tratados e encaminhados para os que mais necessitam. Caso a qualidade não permita a sua reutilização, os materiais serão transformados em matéria-prima para a produção de produtos de limpeza de origem têxtil ou para a reaquisição de fibras e de novos produtos têxteis.

Os resíduos têxteis são uma fracção importante do “lixo” indiferenciado produzido em Portugal que todos os países da União Europeia vão ser obrigados a recolher selectivamente, pelo menos a partir de 1 de Janeiro de 2025. Só em 2017, último ano com dados nacionais disponíveis, os portugueses desperdiçaram 200 mil toneladas de roupa que poderiam ter sido recicladas, evitando a extracção de matéria-prima.

No sistema Lipor, a que a Maia e outros municípios do Grande Porto pertencem, os resíduos indiferenciados não são enviados para aterro, acabando, em parte, incinerados para produção de energia. Num estudo recente de caracterização do “lixo” não enviado para reciclagem, a Lipor apercebeu-se de um aumento de materiais têxteis em algumas zonas onde actua, materiais esses que não eram desperdiçados por consumidores, mas por pequenas empresas do sector têxtil.

Actualmente, o concelho da Maia é um campeão da reciclagem no país, com resultados que, se fossem replicados nos restantes municípios, levariam Portugal a ultrapassar as metas previstas no plano estratégico para o sector. Portugal pediu, no ano passado, à União Europeia, mais dois anos para cumprir os objectivos que se propusera alcançar em 2020. Na Maia, já se ultrapassaram em 2013 as metas para 2020 de reciclagem por habitante.

Texto editado por Abel Coentrão