Equipa que ganhou Óscar pelo som de Bohemian Rhapsody dá aula no FEST em Espinho

Druante uma semana, entre 24 de Junho e 1 de Julho, há 257 filmes em competição em Espinho e 60 horas de debates e conferências sobre cinema.

Não é Freddie Mercury que vemos, é Rami Malek a esforçar-se para ser Freddie Mercury
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Não é Freddie Mercury que vemos, é Rami Malek a esforçar-se para ser Freddie Mercury dr

O FEST - Festival Novos Realizadores Novo Cinema arranca na segunda-feira, em Espinho, e inclui 40 horas de formação do programa Training Ground, uma masterclass pela equipa que ganhou o Óscar pela edição sonora do filme Bohemian Rhapsody (2018).

A 15.ª edição do certame, descrito pela organização como o maior e mais completo festival de cinema em Portugal, vai assim receber os britânicos John Warhurst e Nina Hartstone, que se propõem dissecar em Espinho as estratégias utilizadas para superar os desafios colocados à produção do filme sobre Freddie Mercury (1946-1991), para que a interpretação do actor Rami Malek parecesse reproduzir genuinamente a voz do vocalista dos Queen.

O que esta equipa fez com o som do filme foi um trabalho absolutamente fantástico e prova disso é que quase ninguém repara que nos últimos minutos em que o Rami Malek está a cantar, quando se recria o concerto do Live Aid, o que nós estamos a ouvir é mesmo a voz original do Freddie Mercury, afirma à Lusa o director do FEST, Filipe Pereira.

Noutras secções do biopic houve que gravar multidões em concertos, aplausos de plateias, teclas de piano a serem pressionadas e até excertos com um duplo vocal do Freddie Mercury, para depois se ‘coser’ isso muito bem no filme, e tudo soar autêntico e natural nos cenários e no corpo do Rami Malek.

Além de Bohemian Rhapsody, a carreira de John Warhust inclui filmes como Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street, Os Miseráveis e Três Cartazes à Beira da Estrada). Já o currículo da supervisora de diálogo Nina Hartstone inclui obras como Lara Croft: Tomb Raider - O Berço da Vida e O Bebé de Bridget Jones.

Esses dois profissionais vão ainda conduzir uma segunda masterclass com Eddy Joseph, editor de som em títulos como Cold Mountain, A Noiva Cadáver, Voo 93 e 007 - Quantum of Solace.

Já com mais de 800 participantes inscritos, o programa Training Ground do FEST 2019 contará com outras figuras de relevo do cinema internacional e, entre essas, Filipe Pereira destaca a iraniana Marjane Satrapi, “icónica artista gráfica, cartoonista, ilustradora, autora de livros infantis e realizadora nomeada para um Óscar pelo filme de animação Persépolis”.

Em Espinho, Satrapi falará das diferenças entre cinema de animação e de imagem real, dando a conhecer Radioactive, filme biográfico sobre a física Marie Curie, protagonizado por Rosamund Pike, anunciado para 2020.

O indiano Ritesh Batra, por sua vez, partilhará os seus conhecimentos sobre direcção de actores e reescrita de argumentos, abordando para isso a experiência em filmes como A Lancheira (2013), a longa-metragem de estreia com que foi premiado pela crítica no festival de cinema de Cannes, e Photograph (2019), que chegará aos cinemas portugueses em Agosto, depois de boas críticas em Sundance.

Outros formadores a passar pelo FEST são o argumentista Tony Grisoni, que tem vindo a trabalhar com Terry Gilliam e assinou o enredo de Delírio em Las Vegas e O Homem Que Matou Don Quixote, e ainda o director de fotografia chileno-dinamarquês Manuel Alberto Claro, “conhecido pela sua colaboração de longo prazo com o realizador Lars Von Trier”, desde Melancolia (2001) a A Casa de Jack.

Filipe Pereira realça ainda duas outras masterclass: a do realizador e produtor islandês Baltasar Kormákur, que “se afirmou internacionalmente e trabalha para todo o mundo a partir de uma pequena aldeia num país com apenas 340.000 habitantes”, e a do director de fotografia neozelandês Stuart Dryburgh, que acumula mais de 50 créditos em filmes como O Piano, A Vida Secreta de Walter Mitty e O Ben Está de Volta.

O programa do FEST também inclui um fórum de “Pitching”, em que 28 candidatos previamente seleccionados terão cinco minutos para apresentar as suas ideias a potenciais investidores, e a secção “Director"s Hub”, para análise e discussão da actualidade cinematográfica internacional.

Prevendo 60 horas de debates, oficinas e conferências com profissionais consagrados e valores emergentes, essa rubrica conta já com um painel sobre “A nova vaga portuguesa”, que terá como oradores os realizadores Miguel Gonçalves Mendes, Pedro Cabeleira, Duarte Coimbra, Pedro Pinho e Bernardo Lopes.

Para o “Director"s Hub” também estão anunciados, entre várias outras sessões, dois estudos de caso na primeira pessoa sobre os filmes A Árvore (2018), do director português André Gil Mata, e Scales, da saudita Shahad Ameen, assim como um painel sobre as motivações de transformação social dos realizadores Anaïs Blondet (Peru), See Wee Aw (Malásia) e Mohamed Kordofani (Sudão).

A 15.ª edição do FEST tem início na próxima segunda-feira e decorre até 1 de Julho em vários espaços da cidade, com 257 filmes em competição.