Cidade da Praia discute literatura infanto-juvenil portuguesa, africana e brasileira

Escritores estrangeiros e nacionais vão às escolas falar de literatura e escutar o que os alunos têm a dizer sobre ela. A ilustração e a música também são convidadas no IX Encontro de Escritores de Língua Portuguesa.

Foto
nuno ferreira santos

Arranca nesta quinta-feira, na Cidade da Praia (Parque 5 de Julho, 16h), a IX edição do Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, que homenageia o cabo-verdiano Germano Almeida, Prémio Camões 2018.

O tema geral deste ano, A Literatura Infanto-Juvenil, “resulta do facto de o encontro envolver a deslocação às escolas dos escritores convidados, que vão dialogar com os mais jovens; de a maioria da população do país ser muito jovem, como sucede na maioria dos países africanos; e de Cabo Verde ter escritores de literatura infanto-juvenil de grande qualidade”, explica ao PÚBLICO Vítor Ramalho, secretário-geral da União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA).

Acrescenta ainda que “a sensibilização” para esta área da literatura foi catalisada, “e bem”, pelos responsáveis da Câmara Municipal da Praia, com quem organizam o encontro, que decorre pela quarta vez nesta cidade.

A expectativa do secretário-geral é a de, “em resultado do contacto directo dos escritores com os jovens, suscitar nestes o gosto pela língua comum dos nossos povos, língua hoje universal e ela própria instrumento para as relações económicas, e, ainda, o gosto pela leitura e pela literatura em geral”. 

Vítor Ramalho não tem dúvidas: “Os jovens são o futuro e, se não é menos verdade que não há futuro sem memória, é da conjugação desta com a criatividade da juventude que ele se constrói num quadro cultural intergeracional.” E congratula-se com o interesse dos “órgãos de soberania de Cabo Verde, [que] se associam ao evento, com a presença, entre outras individualidades, do Presidente da República”, Jorge Carlos Fonseca. 

Óscar Santos, presidente da Câmara da Cidade da Praia, realça o facto de o encontro ser “palco de diálogo, de convívio e de troca de experiências entre os escritores de Cabo Verde e os escritores dos diferentes países participantes”.

Afecto, palavras, imagens e sons

Até dia 22 de Junho, a Biblioteca Nacional de Cabo Verde será então cenário de reflexões como “A literatura infanto-juvenil, lugar do afecto e da emoção” (com moderação da Academia de Letras Cabo-Verdiana e participação de Cremilda Lima, Angola; José Fanha, Sílvia Alves e Teresa Duarte Reis, Portugal; Olinda Beja, São Tomé e Príncipe; Hermínia Curado Ferreira e Natacha Magalhães, Cabo Verde; e Kátia Casimiro, Guiné-Bissau).

A sessão “Escrever o mundo, escrever-se a si” será moderada pela reitora da Universidade de Cabo Verde, Judite Nascimento, e contará com os autores Andréa Zamorano (Brasil), Conceição Queirós (Moçambique), Adela Figueroa Panisse (Galiza), Pedro Correia (Portugal) e Augusta Teixeira/Mana Guta, Daniel Medina, João Lopes Filho e Odair Varela (Cabo Verde).

A ilustração e a música serão debatidas sob o mote “Pôr imagens e sons nas palavras, pôr palavras nas imagens”, com a presença dos portugueses André Letria (ilustrador), Daniel Completo (músico) e Avelina Ferraz (editora) moderados pelo presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, o guineense Incanha Intumbo.

A sessão de abertura, às 16h desta quinta-feira, terá as intervenções do primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia da Silva, do presidente da Câmara Municipal da Praia, do secretário-geral da UCCLA e do presidente da Empresa de Mobilidade e Estacionamento da Praia, Victor Coutinho, que apoia a iniciativa.

Cabo Verde preside actualmente à CPLP, Comunidade de Países de Língua Portuguesa.