Catedral de Notre-Dame vai reabrir para uma missa no próximo fim-de-semana

Será a primeira reabertura do templo de Paris, dois meses após o incêndio de 15 de Abril.

O interior da Catedral de Notre-Dame no dia a seguir ao incêndioo
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O interior da Catedral de Notre-Dame no dia a seguir ao incêndioo CHRISTOPHE PETIT TESSON/ EPA

Dois meses passados sobre o incêndio que destruiu a cobertura e parte do seu interior, a 15 de Abril, a Catedral de Notre-Dame de Paris vai reabrir pela primeira vez ao público no próximo fim-de-semana para a realização de uma missa.

A notícia foi avançada pela revista católica Famille Chrétienne, e confirmada esta segunda-feira pelo bispo e reitor daquele templo, Patrick Chauvet. A publicação explica que a celebração a realizar nos dias 15 e 16 servirá também para assinalar a data da dedicação da catedral, que tradicionalmente é evocada no dia 16 de Junho, mas não foi ainda indicado o dia nem a hora da cerimónia.

“Esta data é simbólica. Será a festa da dedicação da catedral, da consagração do altar. É muito importante poder mostrar ao mundo que o papel da catedral é mostrar a glória de deus. Celebrar a eucaristia nesse dia, ainda que num grupo reduzido, será um sinal dessa glória e dessa graça”, disse Patrick Chauvet à Famille Chrétienne.

A missa irá realizar-se numa capela do fundo da catedral que não foi afectada pelo incêndio. Mas as pessoas, num número naturalmente reduzido, a quem for autorizada a entrada no templo terão de usar capacetes como medida de protecção.

A expectativa dos responsáveis pela catedral de Notre-Dame é que ainda esta semana seja também aberta ao público parte do pátio fronteiro ao monumento, permitindo a aproximação dos parisienses e dos turistas. Mas essa decisão caberá às autoridades civis, e nomeadamente ao general Jean-Louis Georgelin, que o Presidente Macron incumbiu de dirigir as obras de restauro.

Ainda segundo aquela revista católica, o reitor de Notre-Dame anunciou o projecto de construção de um pequeno “santuário mariano”, com uma réplica da Virgem do Pilar de Notre-Dame, onde os católicos possam cumprir os seus votos durante os anos em que o monumento irá estar em obras de restauro – um tema que tem motivado aceso debate em França e nos meios internacionais ligados à arquitectura e ao património. “É importante que os católicos tenham um lugar físico para realizar as suas orações. Mostra que, mesmo que a Notre-Dame esteja em obras de reconstrução, ela está aberta, e isso manterá a ligação entre os fiéis e a Igreja”, disse Patrick Chauvet.

Esta opção pelo pequeno santuário vem substituir uma primeira hipótese levantada pelo bispo e reitor de Notre-Dame, que apontava para a a construção de uma “catedral efémera” no pátio exterior, solução que certamente iria colidir com o estaleiro de obra que aí se irá manter durante toda reconstrução.

Uma das maiores preocupações das autoridades civis nos trabalhos de limpeza que estão a decorrer na catedral e na sua envolvente é a acumulação do chumbo libertado pelas chamas.